Nós humanos, assim como outros seres vivos, fomos moldados pela evolução. E, mesmo entre avanços civilizatórios e tecnológicos, seguimos evoluindo e desenvolvendo características que nos ajudam a sobreviver e prosperar nos ambientes em que vivemos, conforme afirma Michael A. Little, professor emérito distinto de Antropologia na Universidade de Binghamton, Universidade Estadual de Nova York, dos Estados Unidos, em artigo publicado no The Conversation. Segundo ele, embora tenhamos modificado nosso ambiente de muitas maneiras ao longo dos últimos milhares de anos, ainda somos transformados pela evolução. “Não paramos de evoluir, mas estamos evoluindo agora de maneiras diferentes de nossos ancestrais. Nossos ambientes são frequentemente modificados por nossa cultura”, escreveu, acrescentando que os ambientes incluem os alimentos que comemos e as doenças infecciosas às quais estamos expostos. Em seu texto, Little citou exemplos de como tem sido a evolução humana nos últimos 10.000 anos. Um deles diz respeito à luz do sol e a variação na pigmentação da pele - ou seja, a quantidade de melanina. O autor destaca que pessoas com pele clara correm o risco de sofrer queimaduras solares graves e tipos igualmente perigosos de câncer de pele e pessoas com muita melanina têm certa proteção contra os danos dos raios ultravioleta emitidos pela luz solar. “A quantidade de pigmento melanina em nossa pele é controlada por nossos genes. Assim, a evolução humana é impulsionada pelo ambiente – ensolarado ou nublado – em diferentes partes do mundo”, explicou. Outro exemplo de evolução é o que comemos. A domesticação de animais e a prática de ordenha favoreceram indivíduos capazes de digerir lactose na vida adulta — algo incomum entre mamíferos. Esses indivíduos possuem genes específicos, que se multiplicaram na população. “Esse processo, que ocorreu e se disseminou há milhares de anos, é um exemplo do que se chama de coevolução cultural e biológica. Foi a prática cultural de ordenhar animais que levou a essas mudanças genéticas ou biológicas”, apontou Little. O mesmo ocorreu em mais populações diante de desafios específicos: inuítes da Groenlândia desenvolveram adaptações para metabolizar grandes quantidades de gordura sem danos cardíacos, e os Turkana, no Quênia, apresentam variantes genéticas que permitem suportar longos períodos com pouca água. Epidemias também atuaram como filtros evolutivos. A peste bubônica, no século XIV, dizimou milhões, mas muitos dos sobreviventes possuíam um gene específico que lhes conferia resistência à doença. Essas pessoas e seus descendentes tiveram maior capacidade de sobreviver aos surtos de doenças que se seguiram por vários séculos. Mais recentemente, durante a pandemia de covid-19, foi constatado que alguns indivíduos possuem resistência natural ao vírus, baseada em seus genes. “É possível que a evolução aumente essa resistência na população e ajude os humanos a combater futuras epidemias virais”, observou o autor. “Como seres humanos, estamos expostos a uma variedade de ambientes em constante mudança. E assim, a evolução em muitas populações humanas continua ao longo das gerações, inclusive agora”, finalizou. Mais Lidas Nós humanos, assim como outros seres vivos, fomos moldados pela evolução. E, mesmo entre avanços civilizatórios e tecnológicos, seguimos evoluindo e desenvolvendo características que nos ajudam a sobreviver e prosperar nos ambientes em que vivemos, conforme afirma Michael A. Little, professor emérito distinto de Antropologia na Universidade de Binghamton, Universidade Estadual de Nova York, dos Estados Unidos, em artigo publicado no The Conversation. Segundo ele, embora tenhamos modificado nosso ambiente de muitas maneiras ao longo dos últimos milhares de anos, ainda somos transformados pela evolução. “Não paramos de evoluir, mas estamos evoluindo agora de maneiras diferentes de nossos ancestrais. Nossos ambientes são frequentemente modificados por nossa cultura”, escreveu, acrescentando que os ambientes incluem os alimentos que comemos e as doenças infecciosas às quais estamos expostos. Em seu texto, Little citou exemplos de como tem sido a evolução humana nos últimos 10.000 anos. Um deles diz respeito à luz do sol e a variação na pigmentação da pele - ou seja, a quantidade de melanina. O autor destaca que pessoas com pele clara correm o risco de sofrer queimaduras solares graves e tipos igualmente perigosos de câncer de pele e pessoas com muita melanina têm certa proteção contra os danos dos raios ultravioleta emitidos pela luz solar. “A quantidade de pigmento melanina em nossa pele é controlada por nossos genes. Assim, a evolução humana é impulsionada pelo ambiente – ensolarado ou nublado – em diferentes partes do mundo”, explicou. Outro exemplo de evolução é o que comemos. A domesticação de animais e a prática de ordenha favoreceram indivíduos capazes de digerir lactose na vida adulta — algo incomum entre mamíferos. Esses indivíduos possuem genes específicos, que se multiplicaram na população. “Esse processo, que ocorreu e se disseminou há milhares de anos, é um exemplo do que se chama de coevolução cultural e biológica. Foi a prática cultural de ordenhar animais que levou a essas mudanças genéticas ou biológicas”, apontou Little. O mesmo ocorreu em mais populações diante de desafios específicos: inuítes da Groenlândia desenvolveram adaptações para metabolizar grandes quantidades de gordura sem danos cardíacos, e os Turkana, no Quênia, apresentam variantes genéticas que permitem suportar longos períodos com pouca água. Epidemias também atuaram como filtros evolutivos. A peste bubônica, no século XIV, dizimou milhões, mas muitos dos sobreviventes possuíam um gene específico que lhes conferia resistência à doença. Essas pessoas e seus descendentes tiveram maior capacidade de sobreviver aos surtos de doenças que se seguiram por vários séculos. Mais recentemente, durante a pandemia de covid-19, foi constatado que alguns indivíduos possuem resistência natural ao vírus, baseada em seus genes. “É possível que a evolução aumente essa resistência na população e ajude os humanos a combater futuras epidemias virais”, observou o autor. “Como seres humanos, estamos expostos a uma variedade de ambientes em constante mudança. E assim, a evolução em muitas populações humanas continua ao longo das gerações, inclusive agora”, finalizou. Mais Lidas

Evolução humana continua a acontecer: o que ainda muda hoje nossos genes e adaptações

2025/11/25 03:01
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Um dos aspectos da evolução diz respeito à luz do sol e a variação na pigmentação da pele - ou seja, a quantidade de melanina
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