Partidos de direita e aliados de Bolsonaro querem ter maioria no Senado a partir de 2027 para dificultarem eventual novo mandato de Lula e, principalmente, viabPartidos de direita e aliados de Bolsonaro querem ter maioria no Senado a partir de 2027 para dificultarem eventual novo mandato de Lula e, principalmente, viab

Oposição tem o dobro de chance de eleger senadores que o governo

2026/01/10 17:00

A principal disputa para o Congresso em 2026 tem sido apontada pela esquerda e pela direita como sendo a do Senado, onde 54 das 81 cadeiras serão trocadas a partir de 2027. Cada uma das 27 unidades da Federação elegerá 2 senadores em outubro. Há uma esperança dos lulistas de reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, assim, ter força eleitoral para manter a influência na pauta que têm hoje na Casa. Isso assegura uma estabilidade na relação com o Congresso.

Do lado dos bolsonaristas, a expectativa é fazer uma maioria que atualmente não existe para dar sustentação a uma oposição que pretende dificultar um eventual novo mandato de Lula. Há também o objetivo de ser uma força contra o STF (Supremo Tribunal Federal). Uma das metas da oposição é conseguir avançar com um processo de impeachment contra ministros, especialmente contra Alexandre de Moraes.

O Poder360 analisou pesquisas de intenção de voto para o Senado realizadas no fim de novembro e ao longo de dezembro em todos os Estados e no Distrito Federal. Os levantamentos mostram que, neste momento, a direita tem o dobro de chance da esquerda de eleger senadores em 2026.

Para chegar ao resultado, o Poder360 fez duas simulações: considerou em um levantamento todos os cenários das pesquisas analisadas e, em outro, apenas os primeiros cenários. Também considerou em ambos só os nomes que aparecem em 1º lugar e em 2º lugar e quem está empatado na margem de erro em relação ao 2º colocado. O resultado é semelhante nos 2 casos. As pesquisas consideram nomes que já declararam publicamente que serão candidatos e outros aventados pelos partidos ou pela opinião pública.

De acordo com a análise, os possíveis candidatos lulistas aparecem à frente em 11 disputas para o Senado. A oposição pontua melhor em 21. Outras 22 cadeiras ainda estão indefinidas.

Os governistas têm vantagem no Nordeste, reduto histórico do PT. A oposição domina no Centro-Oeste e no Sul do país.

As pesquisas analisadas são da empresa Real Time Big Data. As mais antigas foram realizadas de 21 a 24 de novembro, no Rio Grande do Sul e em Alagoas, e a mais recente, em 29 e 30 de dezembro, em Pernambuco. A maior parte delas foi feita na 1ª semana de dezembro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos em todos os levantamentos.

Dos 54 senadores que deixarão suas cadeiras ao final de 2026, há 21 governistas, 16 de oposição e 17 independentes.

Entre os 27 que ainda têm mais 4 anos de mandato, 7 dos que ficam na Casa são ligados ao Planalto, 17 são de oposição e há 3 independentes.

Levando em consideração esse cenário, para ter maioria (41 senadores) a partir de 2027, a oposição precisa eleger 24 senadores e o governo, 34.

Atualmente, nenhum dos 2 lados tem maioria na Casa.

A oposição traçou como um dos seus principais objetivos eleger mais senadores para viabilizar suas pautas no Senado. A principal delas: o impeachment de ministros do Supremo. Moraes é tido como o principal algoz do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso na Superintendência da Polícia Federal desde 22 de novembro por ordem do magistrado. O ministro conduz também o inquérito que condenou 835 pessoas por envolvimento com os atos do 8 de Janeiro. Desses, 420 foram presos.

Já os governistas tentam se articular para assegurar governabilidade para um eventual novo mandato de Lula. O petista concorrerá à reeleição. A prioridade no Legislativo é não permitir que a oposição interdite as pautas de um eventual novo governo petista.

CENÁRIOS NOS ESTADOS 

Lula tem mais chances de eleger aliados, especialmente no Nordeste, tradicional reduto eleitoral do petista. Na Bahia, no Maranhão, na Paraíba, em Pernambuco e no Piauí, os candidatos governistas aparecem em 1º lugar nas pesquisas com certa vantagem nas intenções de voto.

É o caso do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), que tem 12 pontos percentuais a mais do que o 2º colocado, o senador Ângelo Coronel (PSD), que tentará a reeleição. Ele está empatado na margem de erro com o ex-ministro da Cidadania João Roma (PL).

Só no Rio Grande do Norte um possível candidato de direita está à frente. O senador Styvenson Valentim (PSDB), que busca mais 8 anos na Casa, lidera as pesquisas. Em 2º lugar, está a governadora do Estado, Fátima Bezerra (PT), empatada na margem de erro com outros nomes.

A vantagem dos governistas é numericamente maior nas primeiras posições nas pesquisas. Já os segundos lugares apresentam maior indefinição, com diversos possíveis candidatos empatados na margem de erro. Em Sergipe, por exemplo, há 6 nomes empatados

Possíveis candidatos da oposição e bolsonaristas lideram principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sul do país. Nenhum nome governista aparece na frente nas pesquisas analisadas nos 7 Estados das duas regiões.

O cenário no Sudeste é de equilíbrio entre governistas e oposicionistas, ainda que algumas possibilidades estejam indefinidas. No Rio de Janeiro, os 2 possíveis candidatos que pontuam na frente são de oposição. A pesquisa considerou o senador Flávio Bolsonaro (PL), que já anunciou a intenção de disputar a Presidência da República. Caso ele desista e tente a reeleição, é o nome mais cotado para uma cadeira pelo Estado.

No cenário em que Flávio não é considerado, o governador fluminense, Cláudio Castro (PL), lidera a disputa e o deputado Pedro Paulo (PSD) aparece em 2º lugar. Mas em todos os outros cenários em que Flávio aparece, a vantagem é da oposição para as duas cadeiras a que o Estado tem direito.

Em São Paulo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), lidera as intenções de voto, mas está empatado na margem de erro com o deputado Guilherme Derrite (PP), aliado do governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Haddad já declarou recentemente que não disputaria um cargo eletivo em 2026 porque prefere ajudar na campanha à reeleição de Lula. Mas o PT ainda quer convencê-lo a tentar uma vaga ao Senado ou ao governo do Estado.

Na região Norte há vantagem para a oposição, mas a maior parte das possibilidades ainda está indefinida. Apenas o Pará, com o governador do Estado, Helder Barbalho (MDB), e o Amapá, com o senador Randolfe Rodrigues (PT), têm possíveis candidatos governistas em vantagem. A oposição lidera em outras 5 posições.

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