O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o pregão desta segunda-feira (12) em leve queda de 0,13%, aos 163.150,35 pontos, em uma sessão marcada pela ausência de fatores capazes de impulsionar os negócios.
Com o cenário doméstico sem grandes indicadores, os investidores voltaram suas atenções aos desdobramentos do caso Master. De acordo com Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, a reunião entre o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e a cúpula do Tribunal de Contas da União (TCU) foi acompanhada de perto pelo mercado. Segundo ele, a questão é interpretada como um teste importante para a autonomia do Banco Central.
Em destaque no Ibovespa, a Petrobras registrou avanço de 0,16% (ON) e de 0,20% (PN). Já a Vale fechou em alta de 0,03%, contribuindo pouco para a direção do índice.
O setor financeiro, por sua vez, apresentou viés negativo ao longo do pregão. As ações preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) caíram 0,9% e terminaram o dia na mínima da sessão, refletindo a pressão sobre o setor.
Entre os destaques individuais, a Vamos liderou os ganhos do dia, com valorização de 8,18%, seguida por Assaí, que avançou 4,55%. Na ponta oposta, as ações da Cury registraram queda de 3,97% e lideraram as perdas do pregão.
No câmbio, o dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,37, em leve alta de 0,13% frente ao real, que teve o pior desempenho entre os principais emergentes, atribuído a fatores técnicos.
No cenário internacional, o foco recai sobre a divulgação do CPI de dezembro nos Estados Unidos, que ganha peso após dados incompletos de novembro em meio ao shutdown. A expectativa é de aceleração do índice cheio de 0,2% para 0,3% e do núcleo de 0,2% para 0,35%.
No setor corporativo, o JPMorgan inaugura a temporada de balanços do quarto trimestre em Nova York.
Em paralelo à divulgação dos indicadores econômicos, a investigação criminal aberta pelo governo Trump contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, reacendeu o debate sobre a autonomia do banco central americano.
A apuração envolve supostas irregularidades na reforma da sede do Fed, orçada em US$ 2,5 bilhões, e foi duramente criticada por ex-presidentes da instituição, como Ben Bernanke, Alan Greenspan e Janet Yellen, que alertaram para os riscos de interferência política.
No Brasil, a agenda econômica destaca o volume de serviços, com expectativa de desaceleração frente a outubro.
No campo político, o mercado reage com alívio moderado à trégua entre o TCU e o Banco Central no caso Master. Nesta segunda-feira, as instituições firmaram um entendimento para avançar na análise do caso, e técnicos do tribunal devem visitar o BC para definir critérios da inspeção.
Entre os desdobramentos, o BRB informou que avalia a contratação de um parceiro para auxiliar na recuperação de ativos adquiridos do Banco Master. A denúncia da Polícia Federal, que aponta suposta fabricação de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito vendidas ao banco distrital, mantém no radar o risco de perdas relevantes.
As Bolsas da Europa europeias operam majoritariamente em queda, com os investidores atentos aos desdobramentos no Irã, onde protestos contra o governo foram reprimidos com violência. Com a agenda europeia esvaziada, o mercado concentra as atenções nos dados de inflação ao consumidor dos EUA.
No noticiário corporativo europeu, as vendas da Lindt & Sprüngli avançaram pouco mais de 12,4% em termos orgânicos em 2025, acima das expectativas. O resultado reflete, em parte, o impacto positivo dos preços mais elevados do cacau sobre o desempenho do fabricante suíço de chocolates.
Na Ásia, os índices encerraram o pregão de forma mista, com quedas nos mercados da China e recorde no Japão no retorno do feriado, impulsionado por especulações de que a primeira-ministra Sanae Taikachi possa dissolver o parlamento e convocar novas eleições, sinalizando um cenário mais fiscalista.
Em Seul, o índice Kospi fechou em alta de 1,47%, marcando seu oitavo recorde consecutivo em pontuação. Hong Kong (+0,90%) e Taipé (+0,46%) também fecharam no terreno positivo.
Na contramão, as bolsas chinesas não acompanharam o otimismo das demais e terminaram a sessão em queda (Xangai: -0,64% e Shenzhen: -1,38%).
Em Nova York, os índices futuros operam em baixa à espera do índice de preços ao consumidor (CPI) e dos resultados do JPMorgan.
Confira os principais índices do mercado:
• S&P 500 Futuro: -0,15%
• CAC 40: -0,4%
• Nikkei 225: +3,13%
• Hang Seng: +0,9%
• Shanghai SE Comp: -0,6%
• MSCI World: +0,1%
• MSCI EM: +0,5%
• Bitcoin: +1,3% a US$ 92.168,75
Nos EUA, em paralelo à divulgação do CPI de dezembro dos Estados Unidos, prevista para as 10h30, o mercado acompanha a investigação criminal aberta pelo governo contra o presidente do Fed, Jerome Powell. A medida foi criticada pelos três últimos ex-presidentes do Fed, enquanto senadores republicanos também manifestaram preocupação com possíveis impactos sobre a autonomia da instituição.
Nesta terça-feira, dois dirigentes do banco central americano participam de eventos públicos: Alberto Musalem fala às 12h35, e Tom Barkin tem discurso previsto para as 18h.
As tensões geopolíticas também seguem pressionando os mercados. Washington ampliou ameaças ao Irã, com Trump anunciando tarifa de 25% sobre transações comerciais de países que façam negócios com o país.
Enquanto os EUA avaliam uma possível retomada do diálogo sobre o programa nuclear, o governo iraniano afirmou estar aberto a negociações, mas ameaçou retaliar ataques militares. Protestos no país já ultrapassam 600 mortos e somam mais de 10 mil presos.
No Brasil, o principal destaque da agenda é a divulgação do volume de serviços prestados em novembro, pelo IBGE, às 9h.
Na agenda política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participam nesta terça-feira do evento de lançamento do Portal da Reforma Tributária, marcado para as 15h.
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