Ibovespa faz pausa após recordes, cai aos 164 mil pontos e encerra semana ainda em alta
Após duas sessões consecutivas em níveis recordes, o Ibovespa fez uma pausa para consolidação nesta sexta-feira (16), em movimento de realização de lucros que não comprometeu o saldo positivo da semana. O principal índice da B3 recuou 0,46%, aos 164.799,98 pontos, após oscilar entre 164.099,89 na mínima e 165.871,66 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$ 34,1 bilhões, impulsionado pelo vencimento de opções sobre ações.
Mesmo com a correção, o Ibovespa encerrou a semana com avanço de 0,88%, sucedendo o ganho de 1,76% na virada de 2025 para 2026. Em janeiro, o índice acumula alta de 2,28%, mantendo o viés positivo após a quebra de recordes históricos.
O pregão foi marcado por ajustes técnicos e maior volatilidade. Segundo Nicole Malka, especialista em mercado de capitais e sócia da The Hill Capital, o vencimento de opções elevou a oscilação dos ativos e coincidiu com pressão dos juros futuros. “A divulgação do IBC-Br acima do esperado reforça a percepção de juros elevados por mais tempo, enquanto a realização de lucros após altas recentes também pesa sobre o índice”, afirma.
O petróleo teve recuperação parcial em Londres e Nova York, após o tombo da véspera, o que deu algum suporte às ações da Petrobras, com alta de 0,27% na ON e 0,79% na PN. A estatal também contou com a prévia do relatório de produção, divulgada na noite anterior, acima da meta do ano. Ainda assim, o desempenho misto de outras blue chips, como Itaú PN (-0,83%), limitou o fôlego do índice.
Na ponta positiva do Ibovespa, destacaram-se Copasa (+2,51%), Cosan (+2,40%) e Assaí (+2,19%). No campo negativo, Vamos (-9,09%), Braskem (-5,84%) e Direcional (-5,70%) lideraram as perdas.
No exterior, o alívio parcial nas tensões entre Estados Unidos e Irã reduziu prêmios de risco no petróleo. Além disso, declarações do presidente americano Donald Trump indicando a permanência de Kevin Hassett na Casa Branca alteraram as apostas para a sucessão no Federal Reserve, reduzindo temores de maior interferência política. Para Matheus Spiess, da Empiricus Research, o mercado leu o sinal de forma favorável.
O dólar/real permaneceu praticamente estável no dia. De acordo com Bruno Shahini, especialista da Nomad, o movimento reflete a reprecificação das expectativas para a política monetária dos EUA, com a disputa pela presidência do Fed sustentando os yields americanos. “Localmente, o impacto é contido pelo elevado diferencial de juros e pelo recorde recente do Ibovespa, que deu fôlego adicional aos ativos brasileiros”, explica.
Em Nova York, os índices fecharam com leve variação:
Assim, mesmo com a realização de lucros nesta sexta-feira, o Ibovespa encerra a semana ainda em terreno positivo, em um mercado que segue atento ao cenário externo, à política monetária e ao fluxo estrangeiro.
Com Estadão Conteúdo


