Governo Trump afirma que Alex Jeffrey Pretti portava uma arma no momento na abordagem; versão foi contestada pelo "NYTimes", que diz que ele segurava um celularGoverno Trump afirma que Alex Jeffrey Pretti portava uma arma no momento na abordagem; versão foi contestada pelo "NYTimes", que diz que ele segurava um celular

Homem morto em Minnesota era enfermeiro e tinha 37 anos

2026/01/26 09:14

O homem baleado no sábado (24.jan.2026) por agentes federais em Minneapolis, no Estado norte-americano de Minnesota, era o enfermeiro Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos. Ele trabalhava no hospital do Departamento de Veteranos da cidade e participava ativamente de protestos contra operações de imigração nos EUA. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, informou que Pretti não tinha histórico criminal relevante.

Segundo o DHS (Departamento de Segurança Interna) dos EUA, Pretti foi baleado durante uma operação anti-imigração depois de se aproximar dos oficiais portando uma pistola semiautomática de 9 mm. As autoridades não esclareceram se ele chegou a apontar a suposta arma. Também não informaram o número exato de agentes envolvidos nem a quantidade de disparos. A pistola não aparece em gravações feitas por testemunhas.

O DHS e o presidente Donald Trump publicaram a imagem da arma e de 2 carregadores que Pretti estaria portando no momento em que foi baleado.

Copyright Departamento de Segurança Interna dos EUA
“Esta é a arma do atirador, carregada (com 2 carregadores extras cheios!), e pronta para uso – O que significa isso? Onde está a polícia local? Por que não permitiram que protegessem os agentes do ICE? O prefeito e o governador os dispensaram?”, escreveu Trump em seu perfil no X

Vídeos publicados nas redes sociais e verificados pelo jornal New York Times parecem contradizer a versão oficial do DHS. As imagens registradas pelas pessoas que estavam no local mostram que Pretti estava segurando um celular, não uma arma, antes de os agentes o derrubarem no chão e atirarem nele.

“Um pequeno grupo de manifestantes está na rua, conversando com um agente federal enquanto apitos soam. Pretti parece estar filmando a cena com seu celular e controlando o trânsito. Um agente começa a empurrar os manifestantes e a jogar spray de pimenta em seus rostos”, diz o jornal norte-americano sobre os vídeos.

Assista ao vídeo analisado pelo NYTimes:

Um frame de um dos vídeos do episódio publicado por um usuário do X mostra o momento em que um dos agentes aponta a arma para a cabeça de Pretti. O enfermeiro está com a mão esquerda no chão, e na mão direita, carrega um objeto preto não identificado. Pela imagem, não é possível dizer se é uma arma.

2º CASO EM MENOS DE 1 MÊS

Este é o 2º caso fatal envolvendo agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos em Minneapolis em 2026. Em 7 de janeiro, a cidadã norte-americana Renee Good, de 37 anos, foi morta por disparos durante outra operação federal.

Familiares relatam que Pretti participou de protestos após a morte de Good. O pai do enfermeiro declarou que ele decidiu se envolver nas manifestações pela insatisfação com a atuação dos agentes de imigração do governo Trump. Também mencionou que aconselhou o filho a ter cuidado durante os atos.

Nas últimas semanas, o governo dos EUA enviou quase 3.000 agentes de imigração para Minnesota. O objetivo é fortalecer as ações contra pessoas suspeitas de estarem no país ilegalmente e investigar fraudes no Estado. A medida vem sendo fortemente criticada por autoridades como o governador Tim Walz (Democrata) e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey. As ações dos agentes provocaram uma onda de protestos na região.

INVESTIGAÇÃO

O Departamento de Investigação Criminal de Minnesota informou que funcionários do DHS impediram o acesso da polícia local ao local após o ocorrido. Não está claro quantos agentes dispararam contra Pretti, embora investigadores afirmem que pelo menos 2 efetuaram os disparos.

Tim Walz, que concorreu como vice na chapa democrata nas eleições presidenciais de 2024, defendeu que as autoridades estaduais devem liderar a investigação. Ele disse ter conversado com a chefe de Gabinete da Casa Branca, Susan Wiles, e comunicou que “não se pode confiar no governo federal” para conduzir as apurações.

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