O Bitcoin registrou forte queda para US$ 81 mil nesta semana, atingindo o menor patamar em nove meses. O movimento liquidou US$ 1,68 bilhão em posições alavancadas e afetou cerca de 270 mil investidores em apenas 24 horas. O mercado de criptomoedas perdeu US$ 200 bilhões em valor de mercado no período.
A retração reacendeu o debate sobre a proximidade do fundo do bear market. Enquanto analistas como Michaël van de Poppe identificam sinais históricos de capitulação iminente no MVRV Z-Score, outros alertam para o risco de correções profundas.
O analista Aralez projeta queda até US$ 32 mil, citando padrões de ciclos anteriores.Especialistas do mercado apresentam opiniões divergentes: enquanto parte identifica sinais históricos de uma possível capitulação iminente, outros alertam para o risco de correções profundas, como as vistas em ciclos anteriores.
A retração semanal de 7% do BTC foi além de uma simples correção. O mercado de cripto perdeu US$ 200 bilhões em valor de mercado em apenas 24 horas, atingindo especialmente posições alavancadas. A maioria das liquidações ocorreu em posições compradas em BTC e Ethereum, evidenciando o impacto repentino para muitos investidores.
O gatilho da crise veio de diversos fatores. O aumento da tensão geopolítica no Oriente Médio coincidiu com a imposição de tarifas sobre o comércio de petróleo com Cuba pelo presidente Trump, motivando a saída de ativos de risco.
Até mesmo alternativas consideradas porto seguro, como metais preciosos, recuaram: o ouro caiu quase 10% e a prata recuou 27% nas últimas 24 horas.
A fraqueza no setor de tecnologia ampliou as perdas no setor cripto. As ações da Microsoft tiveram baixa de 10% após a divulgação de resultados desfavoráveis em sua divisão de nuvem, o que aumentou questionamentos sobre o real valor da IA.
Esse movimento intensificou a pressão de venda sobre ativos digitais, historicamente correlacionados a ações de crescimento elevado durante períodos de tensão.
Apesar do cenário negativo, analistas técnicos identificam que o BTC pode estar próximo de um fundo cíclico. Michaël van de Poppe compartilhou esse diagnóstico em redes sociais, destacando a relevância histórica do MVRV Z-Score no momento atual.
O MVRV Z-Score auxilia na identificação de períodos em que o BTC é negociado em extremos em relação ao custo médio em cadeia. Níveis muito baixos desse indicador precederam fases de alta, sugerindo que os preços atuais podem indicar uma possível zona de acúmulo para o longo prazo.
O gráfico apresenta a evolução do preço do Bitcoin (linha preta) sobreposta ao MVRV Z-Score (em laranja), com setas azuis apontando os fundos históricos. Em 2026, a linha do MVRV Z-Score cai abaixo de -1, sinalizando sobrevenda expressiva, tal como em períodos anteriores de recuperação.
James Easton, ex-combatente do exército e analista de mercado, reforçou esse posicionamento em seus recentes posts.
Em um de seus comentários, foi mencionado que a última vez em que o NVT Score do Bitcoin (relação entre valor da rede e transações) esteve tão baixo, a moeda digital estava próxima ao fundo absoluto do bear market, apontando para um cenário “bullish”.
Nem todos os especialistas compartilham o otimismo. Analistas técnicos estão atentos à estrutura do mercado e afirmam que o BTC segue em fase de distribuição, em que os recentes repiques são apenas oportunidades de saída e não mudanças reais de tendência.
O trader Javier Crespo apresentou sua análise de baixa apontando suportes-chave que o BTC precisa recuperar para reverter a tendência. Ele ressaltou que a perda da faixa dos US$ 89 mil–US$ 90 mil confirma o fim do repique corretivo e reforça o controle das baixas.
Sob essa ótica, o mercado apresenta padrões típicos de bear market: recuperações falsas, distribuição, armadilhas para compradores e caça a stops antes da retomada da tendência de queda.
Crespo observa possíveis repiques técnicos entre US$ 84 mil–US$ 82 mil, o suporte psicológico em US$ 80 mil e faixas entre US$ 74 mil–US$ 76 mil onde há significativa liquidez.
Com uma perspectiva ainda mais pessimista, Aralez, analista especializado em criptoativos, alerta para uma “queda massiva” até o nível de US$ 32 mil.
Baseando-se em ciclos históricos, Aralez recorda que em 2017 o pico de US$ 19 mil levou a uma queda de 84,1% em 2018; em 2021, o ativo caiu de US$ 69 mil para uma retração de 77,4% em 2022; e projeta uma desvalorização de 72,2% partindo dos US$ 126 mil entre 2025 e 2026.
A diferença de opiniões aponta para incerteza em relação ao futuro imediato do BTC. As liquidações evidenciam intensa atividade e volatilidade no interesse aberto, indicando que o mercado ainda carece de direção definida. A estabilidade recente dos preços, aliada a mudanças bruscas de posicionamento, pode antecipar tanto uma ruptura de baixa quanto um repique.
Para confirmar um cenário de alta, o BTC deve recuperar a faixa de US$ 92 mil–US$ 94 mil com fechamentos diários sólidos e volume institucional.
Sem essa confirmação, qualquer recuperação será vista como oportunidade de venda, e não como reversão de tendência. Enquanto isso, analistas de viés baixista consideram que a perda da marca psicológica dos US$ 80 mil pode acelerar a queda para suportes mais profundos.
As próximas semanas serão decisivas para determinar se os indicadores históricos sinalizam um fundo, ou se o BTC enfrentará mais pressão antes de uma recuperação sustentável. Os dados embasam ambos os cenários, por isso os traders precisam gerir riscos diante da volatilidade.
O artigo Bitcoin a US$ 81 mil é fundo do bear market ou caminho para US$ 32 mil? Analistas divergem foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.


