A desembargadora Maria Lúcia Pizzato, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou o bloqueio de R$ 150 milhões do Banco Fictor, que tentou comprar o Master dias antes da liquidação extrajudicial. A decisão congela a quantia para garantir que a instituição honre o pagamento de contratos das operadoras de cartão de crédito da unidade Fictor Pay.
Segundo a magistrada, o Fictor acumulou polêmicas, “especialmente quando seu nome passou a ser cogitado como o possível adquirente do BANCO MASTER”. A decisão menciona que o grupo apresentou uma proposta para injetar R$ 3 bilhões no Master em 17 de outubro de 2025, 1 mês antes da deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
A decisão considera que, como houve liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central, com uma insolvência irrecuperável, a compra de ações pelo Grupo Fictor “poderá gerar sua insolvência e provavelmente o descumprimento de sua obrigação financeira junto à empresa agravante”. Leia a íntegra da decisão (PDF – 100 kB).
Na decisão, a desembargadora considera que o Grupo Fictor detém uma vasta carteira de empresas de setores diversos, como energia, finanças e alimentos. A magistrada menciona que o grupo “ostenta o selo de patrocinador master do time de futebol da Sociedade Esportiva Palmeiras”. O processo tramita em sigilo.
A desembargadora determinou o bloqueio de valor considerado que é o valor mínimo do saldo colateral para honrar o contrato da operação. A decisão cautelar foi tomada no dia 27 de janeiro, durante o plantão judiciário. “DEFIRO EM PARTE A TUTELA DE URGÊNCIA para determinar o imediato arresto cautelar de ativos financeiros da Fictor”, declarou.
De acordo com a desembargadora, a medida é “necessária, mas não será irreversível, e está sujeita a uma nova análise depois do pagamento dos valores para a empresa”.
Quando o braço de investimentos do Fictor decidiu comprar o Master, o sócio Rafael Ofécia afirmou que a operação representava um passo para entrar no mercado financeiro. “Seguimos alinhados às melhores práticas de governança, com foco na distribuição de produtos sólidos e desenhados para responder com precisão às demandas do mercado nacional. Mantemos o que sempre guiou nossa trajetória: investir na economia real”, afirmou.
O Poder360 questionou a assessoria de imprensa do grupo Fictor sobre a decisão, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
A PF apura um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e os suspeitos de bancar a operação são os sócios do Master e fundos de investimento. Desde dezembro, o caso está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, por haver indícios de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro
A liquidação extrajudicial do Master e do Will Bank representou o maior rombo bancário do país. Segundo as investigações, o esquema consistia na venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que serviam para financiar fundos de investimento, cujo banco era o único cotista. O MPF (Ministério Público Federal) afirma que o negócio se baseava em circular ativos sem riquezas, forjando artificialmente os resultados financeiros.


