Uma teoria que associa Jeffrey Epstein ao pseudônimo Satoshi Nakamoto voltou a circular nas redes sociais e reacendeu debates no mercado de criptomoedas.
Apesar da repercussão, registros públicos, cronologia dos fatos e dados técnicos enfraquecem a hipótese.
Satoshi Nakamoto divulgou o whitepaper do Bitcoin em 31 de outubro de 2008. Além disso, ele participou ativamente do desenvolvimento do software entre 2009 e 2010.
Nesse mesmo período, Jeffrey Epstein cumpria pena ou seguia sob rigorosa supervisão estatal na Flórida, por isso, especialistas consideram improvável a compatibilidade entre os dois históricos.
Além disso, não há indícios de que Epstein dominasse criptografia, C++ ou participasse de comunidades cypherpunks, bases conceituais do Bitcoin.
Epstein realizou doações ao MIT Media Lab, em alguns casos por meio de intermediários, entretanto, nenhum registro indica que esses recursos financiaram o desenvolvimento do Bitcoin.
A Digital Currency Initiative (DCI) surgiu anos depois, após o colapso da Bitcoin Foundation. Segundo o MIT, Reid Hoffman e Fred Wilson lideraram o financiamento inicial do projeto.
E-mails divulgados em 2014 e 2018 mostram Epstein questionando Peter Thiel e Steve Bannon sobre temas básicos de criptomoedas, as mensagens abordam impostos, regulação e distribuição de ativos digitais.
Se fosse Satoshi, analistas afirmam que ele não buscaria explicações introdutórias uma década depois.
Defensores da teoria citam encontros de Epstein com nomes como Brock Pierce e Larry Summers. No entanto, esses contatos ocorreram quando o Bitcoin já havia alcançado ampla notoriedade.
Especialistas destacam que Epstein costumava se aproximar de setores em ascensão para ampliar influência e prestígio, portanto, a presença em agendas e listas de contatos não comprova participação na criação do Bitcoin.
Analistas ressaltam que, mesmo com a revelação da identidade de Satoshi, o impacto prático seria mínimo. O Bitcoin opera de forma open source, descentralizada e sem liderança central.
A governança da rede depende de consenso e código, não de indivíduos, por isso, rumores sobre o criador geram ruído no curto prazo, mas não afetam os fundamentos do ativo.
Assim, especialistas classificam a teoria envolvendo Epstein como mais um episódio de FUD sem base concreta, os dados disponíveis mostram que a narrativa não se sustenta nos fatos.
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