O prefeito do município de Congonhas (MG), Anderson Cabido (PSD), afirmou que o vazamento de rejeitos da Vale em 25 de janeiro de 2026 expôs uma lacuna regulatória no país. Segundo ele, não existem normas específicas para estruturas de drenagem e sumps (sistemas de captação e bombeamento de água) em empreendimentos minerários. “Estamos propondo inaugurar o debate sobre a normatização dessas estruturas“, afirmou Cabido em entrevista ao Poder360, em 30 de janeiro de 2026.
A falha dos sumps da Vale, nas minas de Viga e de Fábrica, entre Congonhas e Ouro Preto, foi a causa do incidente que atingiu a cidade mineira na última semana. Os vazamentos se deram em 25 de janeiro de 2025, no mesmo dia em que o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho completou 7 anos.
Assista (1min55s):
“É importante que a gente debata agora quais são as normas para evitar que episódios como os que aconteceram aqui se repitam“, disse Cabido. O prefeito comparou a necessidade de investigação rigorosa do caso à análise de acidentes aéreos, em que cada falha deve ser estudada para a adoção de novas práticas de segurança.
Congonhas já possui legislação ambiental considerada robusta e voltada especificamente para a atividade minerária. Foi a 1ª cidade mineradora do Brasil a ter lei focada na mineração, e que serviu de modelo a outros municípios.
Apesar do arcabouço legal existente, a fiscalização exige esforços constantes. Cabido afirma que a prefeitura aplica multas frequentes às empresas do setor devido ao fenômeno das “nuvens de poeira“, que é a dispersão de partículas finas de minério e solo no ar.
“A lei criada aqui nos ajudou muito nesse enfrentamento da situação“, afirmou Cabido sobre a lei local. “Mas mesmo assim, é um esforço hercúleo“.
Em resposta ao comentário do prefeito, a Vale afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que: “Com relação à qualidade do ar em Congonhas, a Vale realiza regularmente o monitoramento e intensifica nos períodos de seca os controles operacionais para redução de material particulado, como umectação de vias e proteção de taludes, entre outros“.
Leia na íntegra a nota da Vale:
“A Vale vem atuando de forma contínua para restabelecer as condições das áreas afetadas, reforçar a segurança operacional e manter total transparência e esclarecimentos junto às autoridades e à sociedade.
Na Mina de Fábrica, em Ouro Preto, a empresa implantou sistema de videomonitoramento e medição de nível em tempo real e iniciou intervenções na Cava 18, com foco na conformação da área, além de limpeza do sump Freitas II. Na Mina de Viga, em Congonhas, a empresa realiza desassoreamento dos sumps, inspeções na rede de drenagem e melhorias em acessos.
Nas duas minas, estão sendo adotadas medidas para reduzir a turbidez da água e tem sido realizado o monitoramento ambiental diário em córregos, cujos resultados serão compartilhados com os órgãos competentes. A Vale iniciou a limpeza e desassoreamento dos cursos d’agua, independentemente da origem dos sedimentos.
Com relação à qualidade do ar em Congonhas, a Vale realiza regularmente o monitoramento e intensifica nos períodos de seca os controles operacionais para redução de material particulado, como umectação de vias e proteção de taludes, entre outros.
A Vale segue à disposição das autoridades competentes”.
Assista à entrevista na íntegra (27min50s):
As causas do transbordamento ainda estão sob apuração. A hipótese inicial é de que chuvas intensas na região tenham contribuído para o episódio. A água com sedimentos avançou sobre a Unidade Pires, da CSN Mineração. O caso ocorreu no mesmo dia em que o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho completou 7 anos.
Os vazamentos ocorreram nas minas de Viga e de Fábrica, localizadas a cerca de 22 quilômetros uma da outra, entre os dias 25 e 26 de janeiro.
Na mina de Fábrica, houve o rompimento de uma cava. O material ultrapassou o dique Freitas e carreou sedimentos e rejeitos do processo de mineração. Não houve vítimas.
O volume estimado do vazamento foi de 263.000 metros cúbicos de água enlameada, com minério e outros resíduos da extração. Parte do material atingiu uma área da CSN.
Na sequência, a lama alcançou o rio Goiabeiras, que corta áreas urbanas de Congonhas, antes de desaguar no rio Maranhão, já na região central do município. O rio Maranhão é afluente do rio Paraopeba, o mesmo atingido pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho.


