Bitcoin oscila entre US$ 60 mil e US$ 71 mil em fevereiro de 2026, após queda de 50% desde outubro. Pressões geopolíticas, macroeconômicas e regulação em avançoBitcoin oscila entre US$ 60 mil e US$ 71 mil em fevereiro de 2026, após queda de 50% desde outubro. Pressões geopolíticas, macroeconômicas e regulação em avanço

Bitcoin em Ponto de Inflexão: Mercado Cripto Enfrenta Pressões Geopolíticas e Macroeconômicas em Fevereiro de 2026

2026/02/10 11:02
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Volatilidade Extrema Marca o Mercado de Criptomoedas

O mercado de criptomoedas enfrenta um dos períodos mais desafiadores de 2026, com o Bitcoin oscilando entre US$ 60 mil e US$ 71 mil após uma queda devastadora de 46% a 52% desde o pico histórico de US$ 126 mil registrado em outubro de 2025. A volatilidade extrema reflete um cenário macroeconômico complexo, tensões geopolíticas crescentes e incertezas sobre o futuro dos ativos digitais.

Nesta segunda-feira, 10 de fevereiro, o Bitcoin negocia próximo a US$ 70 mil, consolidando-se em uma faixa crítica após tocar a mínima de US$ 60.062 em 6 de fevereiro. Os indicadores técnicos revelam um mercado em sobrevenda, com o Índice de Força Relativa (RSI) abaixo de 30, sugerindo possível capitulação de investidores.

Análise Técnica: Sinais de Sobrevenda e Recuperação Parcial

Os gráficos técnicos mostram uma tendência bearish consolidada, com as Médias Móveis Exponenciais (EMAs) de 20 e 200 dias confirmando a pressão de venda. Os principais suportes estão localizados em US$ 60-61 mil e US$ 65-66 mil, enquanto as resistências se encontram em US$ 86.100 e acima.

O Índice de Medo e Ganância (CFGI) permanece em pânico extremo, comparável aos níveis de 2022, indicando que o mercado está precificando riscos significativos. Apesar disso, analistas observam que fevereiro historicamente favorece recuperações de +14,3% em média, oferecendo alguma esperança aos investidores.

O Ethereum (ETH) segue a correlação com o Bitcoin, negociando em níveis deprimidos, enquanto outras altcoins como Solana caíram abaixo de US$ 100, refletindo a aversão ao risco generalizada no setor.

Incidente de Segurança em Exchange Sul-Coreana Movimenta Bilhões

Um erro operacional na exchange sul-coreana Bithumb em 6 de fevereiro movimentou aproximadamente 620 mil Bitcoin, equivalentes a R$ 223 bilhões, criando temporariamente “milionários de papel” entre centenas de clientes. O incidente, que gerou investigação imediata, ilustra os riscos operacionais persistentes no setor de criptomoedas, mesmo com exchanges estabelecidas.

Contexto Geopolítico: Desdolarização e Fragmentação Global

A queda do Bitcoin ocorre em um contexto geopolítico complexo, marcado pela fragmentação global em blocos rivais. A China, em movimento estratégico, instruiu seus bancos a reduzirem a exposição a Treasuries dos EUA, acelerando a desdolarização e reacendendo a tese do Bitcoin como potencial hedge soberano neutro.

Essa dinâmica reforça a multipolaridade econômica, com tensões comerciais crescentes, guerras tarifárias e competição por recursos críticos impulsionando investidores para ativos considerados seguros, como ouro, que atingiu níveis acima de US$ 5 mil por onça, com alta de 46% em seis meses.

Paradoxalmente, enquanto o ouro se beneficia da aversão ao risco, o Bitcoin é visto como ativo de risco volátil, com correlação histórica de 0,85 com o ouro, mas sem capturar o mesmo fluxo de capital defensivo.

Pressões Macroeconômicas e Política Monetária

O aperto monetário global continua pressionando ativos de risco. O Banco Central da Austrália elevou os juros para 3,85%, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) avalia aumentos ou cortes em meio à incerteza comercial e geopolítica. Essa pressão inflacionária persistente reduz o apetite por investimentos especulativos.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve destaca um impasse congressional na regulação de criptomoedas, com possível atraso em leis pró-cripto caso os democratas vençam as eleições na Câmara em 2026. Essa incerteza regulatória afeta a confiança institucional no setor.

Impacto no Brasil: ETFs de Cripto em Zona Crítica

No Brasil, os ETFs de criptomoedas enfrentam pressão significativa. O BITH11, principal fundo de Bitcoin na B3, acumula queda de 24% em 2026 e negocia na região de R$ 83, permanecendo abaixo das médias móveis de curto e longo prazo. Esse desempenho reflete a aversão ao risco generalizada entre investidores brasileiros.

Em contraste com a volatilidade de preços, o Banco Central do Brasil avança na consolidação do marco regulatório para criptomoedas a partir de 2026. Novas regras para Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) incluem exigências rigorosas de governança, transparência, proteção ao consumidor e prevenção à lavagem de dinheiro.

Essas normas colocam o setor sob supervisão direta do BC, integram operações com stablecoins e transferências internacionais às regras de câmbio, e preveem um período de adaptação para empresas existentes. O objetivo é atrair investidores institucionais e consolidar o Brasil como centro de inovação em ativos digitais.

Adicionalmente, o Brasil avança na criação da RESBit (Reserva Estratégica de Bitcoin), com sistemas de monitoramento baseados em blockchain, carteiras frias e protocolos de segurança cibernética. Relatórios semestrais transparentes e capacitação de servidores públicos em blockchain fazem parte da estratégia.

Adoção Institucional: Blockchain como Infraestrutura Financeira

Apesar da volatilidade de preços, a adoção de blockchain por instituições continua avançando. Mineradores de Bitcoin diversificam para data centers de inteligência artificial, fortalecendo a economia do Bitcoin e reduzindo riscos de capitulação. Analistas veem blockchain como “parceiro financeiro natural da IA” em economias agênticas, suportando transações automatizadas de alta velocidade.

Mercados de crédito nativos de XRP ganham impulso com instituições como Evernorth impulsionando a adoção de protocolos blockchain para rendimento em cadeia, sinalizando que a infraestrutura de criptomoedas continua evoluindo independentemente das flutuações de preço.

Perspectivas para 2026: Otimismo Institucional Persiste

Apesar do cenário desafiador, analistas institucionais mantêm perspectivas otimistas para 2026. Alguns analistas estimam que o Bitcoin pode atingir US$ 150 mil até o final do ano, argumentando que o caso de baixa atual é o mais fraco da história do Bitcoin, considerando os fundamentos de adoção institucional e desdolarização global.

Investidores institucionais continuam interessados em criptomoedas, diferentemente de ciclos anteriores, onde o movimento era impulsionado principalmente por especulação. Essa mudança de dinâmica sugere que a queda atual pode representar uma oportunidade de acumulação para investidores de longo prazo.

Riscos e Incertezas: O Caminho à Frente

Os riscos de curto prazo permanecem significativos. A aversão ao risco global pode derrubar os preços do Bitcoin para US$ 60 mil ou abaixo, conforme preveem alguns analistas. Preocupações com disrupção por inteligência artificial, ameaças de computação quântica e o uso do dólar como arma política reforçam a volatilidade.

No entanto, a tese de longo prazo do Bitcoin como proteção contra desdolarização e inflação permanece intacta. A fragmentação geopolítica global e a busca por alternativas ao dólar americano podem validar Bitcoin como reserva de valor soberana, embora a volatilidade persista até que fluxos de capital se estabilizem.

Conclusão: Ponto de Inflexão Crítico

O mercado de criptomoedas em fevereiro de 2026 encontra-se em um ponto de inflexão crítico. A queda de 50% desde outubro de 2025 reflete pressões macroeconômicas reais, incertezas geopolíticas e aversão ao risco generalizada. No entanto, a consolidação regulatória no Brasil, a adoção institucional contínua e a tese de desdolarização global sugerem que o setor está em transição, não em colapso.

Investidores devem monitorar atentamente os níveis de suporte técnico, as decisões de política monetária dos bancos centrais e os desenvolvimentos geopolíticos. A próxima semana será crucial para determinar se o Bitcoin consegue se recuperar acima de US$ 75 mil ou se cai para novos mínimos.

Acompanhe as próximas atualizações sobre o mercado de criptomoedas e seus impactos na economia global.

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