Em nota divulgada nesta 5ª feira, ministro reforça que não é suspeito nas investigações do Banco MasterEm nota divulgada nesta 5ª feira, ministro reforça que não é suspeito nas investigações do Banco Master

Toffoli nega ter recebido valores de Vorcaro e Zettel

2026/02/12 20:54
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O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, declarou nesta 5ª feira (12.fev.2026) que ele nunca recebeu quaisquer valores de Daniel Vorcaro ou do cunhado do banqueiro Fabiano Zettel, investigados no esquema de fraude do Banco Master. Em nota, o ministro afirma que participou do quadro de sócios da empresa familiar que tinha participação no Grupo Tayaya, que depois foi adquirido por fundos ligados a Zettel.

A declaração foi feita logo depois que a Polícia Federal solicitou a suspeição do ministro da investigação envolvendo o Master. Na 4ª feira (11.fev), Toffoli negou ter relações com os investigados e declarou que a PF não tem prerrogativa para pedir a sua suspeição.

“O ministro desconhece o gestor do Fundo Arlen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, afirmou em nova nota, divulgada nesta 5ª. Leia a íntegra (PDF – 65 kB).

Segundo Toffoli, a Maridt é uma empresa familiar de capital fechado, em que ele, como não atuava como administrador, integrava o quadro societário e recebia dividendos. A Maridt detinha cotas do Grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025, quando vendeu sua participação para o Fundo Arlen, em setembro de 2021, em que Zettel tinha participação, e depois, em fevereiro, liquidou toda sua participação com a venda para a PHD Holding.

“Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição”, destacou a nota. 

De acordo com Toffoli, a ação referente às fraudes financeiras no Banco Master e no Banco de Brasília foi encaminhada ao ministro em 28 de novembro, quando a empresa Maridt já não detinha participação no Grupo Tayaya Ribeirão Claro.

MASTER NO STF

Toffoli é o relator de uma das apurações relacionadas ao Banco Master no STF, que trata principalmente da tentativa de compra da instituição pelo BRB (Banco de Brasília). O ministro mantém a posição de que não há motivo para se declarar impedido de julgar o processo principal sob sua relatoria. Ele já redistribuiu ao menos 2 casos relacionados ao inquérito para instâncias inferiores: a investigação contra o ex-presidente do Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Rio de Janeiro), Deivis Marcon Antunes e contra o investidor Nelson Tanure, alvo da 2ª fase da operação Compliance Zero.

O magistrado já havia citado, publicamente, o encaminhamento de tais operações. Em nota publicada em 29 de janeiro, o Toffoli escreveu: “Paralelamente à operação Compliance Zero, outras operações foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal, dentre as quais, uma realizada na cidade do Rio de Janeiro, que foi prontamente devolvida à primeira instância, e outra efetivada em São Paulo por determinação da Suprema Corte, trazida ao Supremo Tribunal Federal por iniciativa direta da Procuradoria-Geral da República”

No mesmo comunicado, Toffoli afirmou que só iria avaliar a transferência do caso Master para a Justiça Federal quando for encerrada a investigação da Polícia Federal.

Segundo o ministro, é necessária uma análise prévia pelo STF, sem o prejuízo de nulidades processuais “em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”.

Advogados do Banco Master, integrantes do Poder Executivo e do Poder Legislativo têm feito pressão contra Toffoli. Querem o ministro fora do caso. Também propagam na mídia que o magistrado só estaria esperando manifestações públicas de apoio –que já vieram de Edson Fachin e de Gilmar Mendes– para se sentir confortável e enviar tudo para a 1ª Instância. Essa interpretação tem sido feita por pessoas e jornalistas que não conversam com Toffoli.

O Poder360 ouviu de vários interlocutores do ministro que ele não demonstrou a menor intenção de deixar a relatoria da investigação que imputa fraudes ao Banco Master –e que resultaram em um rombo de R$ 47,3 bilhões, o maior da história bancária brasileira. Toffoli tem afirmado de maneira resoluta que pretende que o caso resulte em medidas estruturantes para dar mais segurança ao mercado financeiro brasileiro.

O ministro diz acreditar que o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários foram tímidos nas ações para conter as fraudes do Master. Não acredita que possa ter havido má-fé, mas pelo menos atitudes inadvertidas ou falta de estrutura regulatória. Toffoli vê fragilidade no sistema e entende que a investigação possa, ao final, ajudar a construir um arcabouço regulatório que seja mais sólido.

Toffoli também tem demonstrado irritação com a Polícia Federal. Acha que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tem sido menos aplicado do que deveria em algumas ações.

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