A Aptos Foundation decidiu mudar tudo. A entidade revelou que pretende reformular profundamente a dinâmica do token APT. O objetivo é criar um conjunto de novas regras que busca, sobretudo, aumentar a deflação. Portanto, a intenção é tornar o ativo mais sustentável no longo prazo. A decisão chega depois de meses de críticas sobre o modelo atual. Hoje, o modelo depende de emissões contínuas para financiar o ecossistema.
Segundo a fundação, a rede entrou em uma fase em que mecanismos antigos já não fazem sentido. Assim, a proposta apresentada nesta quarta-feira detalha uma transição para uma tokenomics orientada ao desempenho. Com essa proposta, o ecossistema se afasta do modelo de subsídios e se aproxima de estruturas guiadas pela atividade real da rede. A equipe explicou que, com esse novo formato, os gastos poderão superar as emissões quando os aplicativos de alto rendimento ganharem escala.
A publicação também trouxe números relevantes sobre a oferta do APT. Hoje, existem cerca de 1,196 bilhão de tokens em circulação. No entanto, o fornecimento total não tem limite definido. Para corrigir esse ponto, a fundação propõe criar um teto máximo de 2,1 bilhões de tokens. Essa mudança colocaria o APT em linha com outros ativos que já adotam limites rígidos de emissão.
A Aptos admitiu que os grandes desbloqueios de tokens sempre foram um problema para o mercado. No entanto, afirmou que essa pressão está diminuindo e continuará a cair após o término do ciclo de quatro anos em outubro. Isso reduz em 60% os desbloqueios anuais. Embora a equipe reconheça o impacto desses eventos, também afirma que o ecossistema amadureceu o suficiente para sustentar mudanças mais profundas.
Esse amadurecimento se reflete no interesse institucional. A fundação destacou que nomes como BlackRock, Franklin Templeton e Apollo já estão alocando centenas de milhões on-chain. Isso aumenta a responsabilidade de criar uma tokenomics mais previsível. Sem reforma, dizem os responsáveis, as emissões continuariam indefinidamente. Não haveria teto rígido e nem relação direta com o uso real da rede.
Entre as propostas, a Aptos quer reduzir a taxa anual de recompensas de staking de 5,19% para 2,6%. Além disso, a ideia é premiar compromissos mais longos em troca de maior estabilidade do ecossistema. A fundação argumenta que essa mudança reduz emissões e melhora os incentivos para participantes de longo prazo.
Outra medida relevante envolve as tarifas de gás. A equipe defende um aumento de dez vezes, alegando que a rede opera com custos extremamente baixos. Como todo gás pago em APT é queimado, essa mudança também ajudaria na redução da oferta. Ainda assim, segundo a fundação, mesmo com o reajuste, transações de stablecoins custariam apenas US$ 0,00014. Com isso, a Aptos se manteria entre as redes mais baratas do mundo.
A fundação também propõe o bloqueio permanente de 210 milhões de tokens para staking na própria rede. Na prática, esse bloqueio funcionaria como uma queima indireta. Dessa forma, os tokens não voltariam ao mercado. As recompensas provenientes desse montante financiariam as operações da entidade.
Por fim, a equipe quer mudar sua política de concessão de bolsas. O intuito é incluir KPIs mais rígidos, além de explorar um programa de recompra ou a criação de uma reserva para equilibrar a oferta quando necessário.
A Aptos não está sozinha nesse movimento. O Optimism aprovou recentemente um programa de recompra com parte da receita da Superchain, a Uniswap deu aval para uma grande queima de tokens em dezembro e a PancakeSwap também aprovou medidas de redução de oferta. O setor, portanto, vive uma onda de reestruturações que busca alinhar incentivos, estabilizar preços e preparar as redes para um cenário mais competitivo.
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