A PGR (Procuradoria Geral da República) enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta 4ª feira (18.fev.2026) um parecer em que defende que Flamengo e Sport dividam o título do Campeonato Brasileiro de 1987. Os clubes discutem o posto de campeão da competição na Justiça em uma disputa que já dura mais de 4 décadas.
O posicionamento da PGR se dá no âmbito de uma ação rescisória movida pelo Flamengo para invalidar uma decisão de 2017 da 1ª Turma do STF. À época, o colegiado anulou uma resolução de 2011 da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) que considerava os 2 clubes como campeões da competição. A medida foi revogada pela própria CBF 4 meses depois, por causa de nova decisão da Justiça Federal de Pernambuco que declarou só o Sport como vencedor.
Em manifestação enviada ao Supremo, o Procurador Geral da República, Paulo Gonet, disse que a decisão da Justiça pernambucana não impede que outro clube também seja considerado vencedor do torneio. Segundo o PGR, a 1ª Turma errou ao decidir que a CBF não poderia ter declarado 2 times campeões no mesmo ano com base em critérios esportivos.
A ação do Flamengo faz parte dos processos relatados pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso, que deixou a Corte em outubro de 2025.
Flamengo e Sport reivindicam o título brasileiro de 1987 porque houve duas disputas distintas naquele ano.
Como a CBF atravessava problemas financeiros, um grupo formado pelos principais clubes do país decidiu criar uma competição própria, chamada de “Módulo Verde”, ou “Copa União”. O torneio foi vencido pelo Flamengo.
O Sport foi o vencedor da competição organizada pela CBF, que acabou reunindo clubes de menor expressão. O torneio ficou conhecido como “Módulo Amarelo”.
A CBF propôs um quadrangular entre os 2 primeiros colocados de cada módulo. Flamengo e Internacional, que fizeram a final da Copa União, não concordaram com a proposta. Campeão e vice do Módulo Amarelo, Sport e Guarani disputaram um jogo que foi vencido pelo clube do Recife.
O STF já manteve o Sport como único campeão de 1987 pelo menos 3 vezes. Na última decisão, de agosto de 2024, o ministro Flávio Dino negou um recurso extraordinário da CBF para rever a decisão da Justiça Pernambucana.

