A Circle Internet Group reportou um crescimento robusto no quarto trimestre, com a receita total saltando 77% para US$ 770 milhões (aproximadamente R$ 4,4 bilhões na cotação atual). O volume de circulação da stablecoin USDC encerrou o ano atingindo US$ 75,3 bilhões (cerca de R$ 432 bilhões), consolidando a posição da empresa no mercado global de ativos digitais. Esses resultados sinalizam não apenas a recuperação do setor após os desafios de 2023, mas uma preparação sólida para a aguardada oferta pública inicial (IPO) da empresa, destacando a crescente demanda por dólares digitais regulados.
Em termos simples, a Circle está colhendo os frutos de se posicionar como a “alternativa regulada” no mercado de dólares digitais. Enquanto o setor cripto amadurece, grandes investidores e instituições financeiras buscam segurança jurídica, preferindo o USDC para liquidar transações e manter reservas em comparação a concorrentes com estruturas menos transparentes. Além disso, o ambiente de taxas de juros ainda elevadas nos EUA beneficiou a empresa, que mantém as reservas do USDC em títulos do Tesouro americano e dinheiro, gerando renda passiva significativa.
Esse movimento reflete uma tendência maior onde as stablecoins superam trilhões em volume mensal, servindo como a espinha dorsal de liquidez para todo o ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi) e pagamentos globais. A confiança no modelo da Circle é tamanha que até gigantes da tecnologia observam o setor de perto; recentemente, a Meta avalia integrar stablecoins em suas plataformas, validando ainda mais a tese de que ativos estáveis são a ponte essencial entre o sistema financeiro tradicional e a economia cripto.
De acordo com o relatório financeiro divulgado pela empresa e análises do Business Wire, os números mostram uma eficiência operacional crescente e uma expansão agressiva da rede:
Esses dados reforçam a tese de que a infraestrutura da Circle está sendo cada vez mais utilizada não apenas para especulação, mas para utilidade real em pagamentos e transferências internacionais.
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Para o investidor brasileiro, o fortalecimento da Circle é uma notícia relevante, visto que o USDC é amplamente utilizado no país como ferramenta de dolarização e proteção cambial contra a volatilidade do Real. Com a expansão da liquidez global e o aumento do volume do protocolo CCTP, o acesso ao USDC em corretoras locais e sua utilização em plataformas DeFi tendem a se tornar mais baratos e eficientes, com menos slippage (variação de preço) em grandes transações.
No entanto, é crucial estar atento ao cenário regulatório doméstico. Enquanto a utilidade do ativo cresce, a Receita Federal e os legisladores apertam o cerco; o Brasil estuda novos impostos para stablecoins, o que pode impactar o custo de manter esses ativos em carteira e realizar conversões para moeda fiduciária. Além disso, a concorrência no setor de pagamentos internacionais está aumentando. Empresas tradicionais estão se movendo para esse espaço, como mostra o caso da Payoneer que busca supervisão federal para lançar sua própria stablecoin. Isso significa que o investidor brasileiro poderá ter em breve mais opções reguladas para receber e enviar dólares, reduzindo a dependência de uma única emissora.
Embora os fundamentos sejam sólidos, existem riscos importantes. A receita da Circle ainda depende fortemente das taxas de juros dos EUA; se o Federal Reserve iniciar cortes agressivos nas taxas, a margem de lucro da empresa pode ser comprimida. Além disso, o cenário regulatório global permanece fluido, especialmente com a implementação completa do MiCA na Europa, que pode alterar as dinâmicas de mercado das stablecoins.
O investidor deve monitorar o volume diário de emissão e resgate do USDC nas próximas semanas. Um crescimento contínuo, dissociado de picos de volatilidade no Bitcoin, sinalizará uma adoção orgânica para pagamentos, validando a sustentabilidade do modelo de negócios da Circle a longo prazo.
A Circle demonstrou capacidade de escalar suas operações de forma lucrativa, dobrando suas metas de crescimento e consolidando o USDC como um pilar financeiro regulado. Para 2025, a execução do IPO e a expansão da interoperabilidade entre blockchains serão os principais catalisadores a serem observados.
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