A Câmara dos Deputados aprovou nesta 4ª feira (4.mar.2026) a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança, com um dispositivo que permite que os recursos arrecadados com a taxação das bets sejam destinados para o financiamento de ações de inteligência e policiamento.
O placar foi de 487 votos a favor e 15 contra no 1º turno e de 461 e 14, respectivamente, no 2º turno. A proposta foi relatada pelo deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE) e segue agora para o Senado, sem o dispositivo que incluía um referendo para reduzir a menoridade penal.
Pelo texto aprovado, 30% do que já é arrecadado em impostos sobre apostas esportivas será destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública. As casas de apostas pagam uma alíquota de 12% sobre a receita líquida. Esses montantes devem ser utilizados para finalidades específicas, como:
O coração da reforma é a constitucionalização do Susp (Sistema Único de Segurança Pública), que deixa de ser apenas uma diretriz legal para se tornar um imperativo constitucional. O objetivo é assegurar que a União, os Estados e os municípios operem sob uma coordenação contínua, com unidades de ação e padrões de atuação integrados.
De acordo com o relator, o modelo atual, erguido em 1988, tornou-se insuficiente diante da transnacionalidade das facções criminosas e milícias, que hoje exercem domínio sobre cerca de 25% a 30% da população brasileira em áreas vulneráveis.
O texto também constitucionaliza o FNSP (Fundo Nacional de Segurança Pública) e o Funpen (Fundo Nacional Penitenciário). Para sustentar a nova estrutura policial, a PEC estabelece diretrizes para a divisão dos recursos destinados aos fundos.
O projeto determina que a União é obrigada a repassar aos Estados e ao Distrito Federal 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública. O repasse passará a ser automático, independente de convênios. Além disso, a PEC proíbe o contingenciamento dessas verbas pelo governo federal, assegurando que o dinheiro arrecadado com bets e loterias não seja usado para abater o déficit fiscal. A proposta também visa a aumentar para R$ 6 bilhões o valor para as forças de segurança.
A proposta também permite que as Guardas Municipais sejam transformadas em Polícias Municipais. Essas novas forças terão natureza civil e competência para o policiamento ostensivo e comunitário, além da proteção de bens e serviços locais.
Os cargos serão preenchidos, exclusivamente, por meio de concurso público e pela transformação dos cargos das respectivas carreiras das guardas municipais. Os municípios também terão de cumprir alguns requisitos para tal. Como demonstrar capacidade financeira de arcar com a manutenção da corporação e realizar a formação de acordo com os parâmetros nacionais básicos.
Além disso, se aprovada a PEC, o Congresso também recupera prerrogativas de controle sobre o CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Ou seja, decisões do conselho que impactem rotinas policiais ou o sistema prisional poderão ser suspensas pelo Legislativo se ultrapassarem a competência administrativa.
O substitutivo aprovado também endurece a política criminal ao criar um regime jurídico especial para organizações criminosas de “alta periculosidade ou lesividade”.
Inspirado em modelos internacionais como o italiano e o norte-americano, o texto prevê medidas como a vedação de progressão de regime para lideranças de facções e o confisco ampliado de bens. A intenção é asfixiar financeiramente as milícias e impedir que presídios continuem operando como centros de comando do crime.

Esforço, exercício físico, musculação, determinação Getty Images Nos anos 1980, quando eu fazia faculdade de jornalismo em Curitiba, costumava voltar para

