O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, está detido na Penitenciária 2 de Potim, localizada no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, que opera em regime fechado. A unidade tem capacidade para 844 vagas e abriga 472 detentos, segundo dados da Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo atualizados na 4ª feira (4.mar.2026). A área construída da penitenciária totaliza 7.854,69 metros quadrados.
Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, foram transferidos para Potim na manhã desta 5ª feira (5.mar.2026). Os 2 foram presos pela Polícia Federal na 4ª feira (4.mar), durante a operação Compliance Zero. Eles passaram a noite no Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos antes da transferência.
A Polícia Federal solicitou o encaminhamento dos investigados ao sistema prisional estadual. O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu à solicitação. A PF justificou que a carceragem da superintendência em São Paulo não possui estrutura adequada para manter detentos por períodos prolongados.
A Penitenciária 2 de Potim tem recebido presos envolvidos em casos de grande repercussão. O governo de São Paulo iniciou recentemente um processo de redistribuição de detentos famosos para evitar concentração em locais como Tremembé. Além de Daniel Vorcaro, outros nomes conhecidos foram encaminhados para Potim, incluindo o ex-jogador Robinho, preso por estupro, o empresário Thiago Brennand, preso por estupro, lesão corporal e ameaça, e o ex-médico Roger Abdelmassih, condenado por estupros de dezenas de pacientes.
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a 3ª fase da Operação Compliance Zero para prender preventivamente os empresários do Banco Master Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel na 4ª feira (4.mar.2026). A nova fase apura grupo responsável por monitorar e intimidar adversários de Vorcaro. Leia a íntegra da decisão, que atende a pedido da PF (Polícia Federal) (PDF – 384 kB).
Segundo o despacho de Mendonça, a investigação do caso indica que Vorcaro emitia “ordens diretas” de atos de intimidação contra pessoas como “concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas” que prejudicariam os interesses do Master. O ministro também declarou que foram identificados registros de que o empresário teve “acesso prévio” às informações “relacionadas à realização de diligências investigativas”.
As mensagens indicam que o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, atuava como um mediador dos serviços do “núcleo de intimidação”, sendo responsável pelos pagamentos.
Foram presos preventivamente:
Também foi autorizada a busca e apreensão em 15 endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais. Mendonça determinou o afastamento de cargos públicos e o sequestro de bens no montante de até R$ 22 bilhões.
Na decisão que autorizou a 3ª fase da Operação Compliance Zero, Mendonça entendeu que há indícios de que o grupo contratado por Vorcaro para intimidar adversários teve acesso a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais como a Interpol. O ministro decretou a prisão dos investigados por considerar que há risco à vida de possíveis vítimas dos ilícitos citados na investigação.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades” e “colaborou de forma transparente com as investigações desde o início”. Em nota, os advogados negam “categoricamente as alegações atribuídas” a Vorcaro e dizem confiar que “o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”, reiterando confiança “no devido processo legal e no funcionamento das instituições”.
Eis a íntegra da nota:
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.
“Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”
Até a publicação desta reportagem, os advogados de defesa dos outros alvos da operação não haviam se manifestado sobre os fatos imputados a eles pela Polícia Federal. O Poder360 atualizará a reportagem quando receber as manifestações.


