Os mercados de previsão entraram novamente no centro do debate em Washington. Legisladores agora querem impedir que autoridades eleitas apostem em contratos ligados a eventos políticos.
O movimento ganhou força após uma série de operações polêmicas envolvendo apostas sobre conflitos geopolíticos e decisões governamentais sensíveis. Assim, o tema passou a preocupar parlamentares de ambos os partidos.
Os senadores democratas Jeff Merkley e Amy Klobuchar apresentaram um projeto de lei que proibiria o presidente, o vice-presidente e todos os membros do Congresso de operar nesses mercados.
O texto também impediria altos funcionários do Poder Executivo de negociar contratos relacionados a eventos do mundo real. Além disso, esses contratos funcionam como apostas financeiras vinculadas ao resultado de acontecimentos específicos.
A proposta surge enquanto plataformas como Polymarket e Kalshi crescem rapidamente. Elas permitem que usuários apostem em resultados variados, como eleições, indicadores econômicos e até decisões governamentais.
Além disso, grandes nomes do setor cripto começaram a disputar espaço nesse mercado. Coinbase e Robinhood lançaram produtos baseados em previsão de eventos, atraindo investidores em larga escala.
Em 2024, a Robinhood passou a oferecer esses contratos por meio de sua plataforma de derivativos. Já em 2025, a Coinbase ampliou a negociação de previsões nos EUA ao firmar parceria com a Kalshi.
O projeto de lei prevê multas mínimas de US$ 10.000 para autoridades que descumprirem a regra. Segundo Merkley, a prioridade é conter o uso de informações privilegiadas por agentes públicos.
O senador afirmou que autoridades recebem constantemente dicas e análises sensíveis. Assim, mesmo sem provas diretas, o risco de uso indevido é considerado elevado.
A pressão aumentou após apostas que anteciparam corretamente a destituição de Nicolás Maduro e um ataque dos EUA ao Irã. Esses episódios levantaram suspeitas sobre vantagem informacional.
Uma análise do New York Times apontou aumento abrupto de negociações na Polymarket antes do ataque. As apostas previam que a ação militar ocorreria no dia seguinte.
O senador Chris Murphy classificou o movimento como “altamente suspeito”. Ele sugeriu que pessoas próximas aos formuladores de políticas poderiam ter tido conhecimento antecipado.
Murphy afirmou, em vídeo no X, que a operação indicava possível exploração de informações não públicas. Segundo ele, indivíduos ligados ao ex-presidente Donald Trump poderiam ter lucrado com a situação.
Além disso, legisladores como Adam Schiff já vinham pedindo mudanças mais rígidas no setor. Eles pressionaram a CFTC a barrar contratos com apostas sobre mortes, conflitos militares ou acidentes de alto risco.
Esses mercados incluíam previsões sobre ações russas na Ucrânia, explosões de foguetes da NASA e decisões envolvendo Maduro. Além disso, para os parlamentares, tais apostas ultrapassam limites éticos e regulatórios.
Ainda mais, Apesar da resistência no Congresso controlado pelos republicanos, os defensores do projeto acreditam que a proposta pavimenta o caminho para regras mais fortes no futuro.
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