O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou que Washington deverá participar da escolha do próximo líder do Irã depois da morte do aiatolá Ali Khamenei, morto em ataque militar no início da atual guerra envolvendo EUA e Israel contra alvos iranianos. Ele declarou que os Estados Unidos terão de participar do processo de sucessão para evitar novos confrontos no futuro.
“Vamos ter de escolher essa pessoa junto com o Irã. Vamos ter de escolher essa pessoa”, disse o presidente norte-americano à agência Reuters. Segundo ele, o objetivo seria garantir que o novo dirigente leve o país a um caminho que reduza a necessidade de intervenções externas. “Queremos alguém que seja ótimo para o povo, ótimo para o país”, afirmou.
Trump voltou a indicar que considera improvável a ascensão de Mojtaba Khamenei, filho do líder morto. O presidente norte-americano não detalhou os motivos para essa avaliação. Questionado sobre a possibilidade de o exilado Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, assumir algum papel na liderança do país, Trump respondeu: “Acho que todos estão no jogo. Ainda é muito cedo”.
A Assembleia de Especialistas do Irã, órgão formado por 88 integrantes, tem a responsabilidade constitucional de nomear o líder supremo iraniano. Segundo o jornal norte-americano The New York Times, Mojtaba Khamenei é o favorito. Ele ocupa um cargo clerical de nível intermediário e não tem histórico na política formal do regime.
Em outra frente, Trump declarou apoio a uma possível ofensiva de grupos curdos iranianos instalados no norte do Iraque contra forças de segurança do Irã. “Acho maravilhoso que queiram fazer isso. Eu seria totalmente a favor”, afirmou. Segundo fontes citadas pela Reuters, milícias curdas baseadas na região autônoma do Curdistão iraquiano discutem com autoridades norte-americanas se e como lançar ataques no oeste iraniano, com o objetivo de enfraquecer as forças militares do país.
O conflito começou no sábado (28.fev), quando EUA e Israel iniciaram ataques contra instalações iranianas. A guerra já deixou mais de 1.000 mortos, entre civis e militares, incluindo ao menos 6 soldados norte-americanos. A escalada militar também ampliou a instabilidade no Oriente Médio.
Trump declarou ainda acompanhar de perto a situação no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. A navegação na região foi reduzida depois de ataques iranianos a navios no Golfo.
“Eles não têm mais marinha. A marinha deles está no fundo do mar”, disse Trump. Apesar da alta recente no preço do petróleo e dos combustíveis, o presidente minimizou o impacto econômico. “Os preços vão cair rapidamente quando isso terminar. E, se subirem um pouco, subiram. Isso é muito mais importante”, afirmou.
Trump disse ainda que não pretende prever a duração da guerra, mas avaliou que a ofensiva avança mais rápido do que o esperado. “Está avançando antes do previsto e muito mais forte do que qualquer um imaginava”, declarou.
Entre os locais atingidos pela ofensiva estão: Teerã, Abyek, Karaj, Tabriz, Urmia, Kermanshah, Lorestan, Qom, Ilam, Khorramabad, Dezful, Shiraz, Bushehr, Bandar Abbas, Minab, Asaluyeh, Konarak, Chabahar e Isfahan.
No anúncio do início da campanha militar, Trump afirmou que o objetivo era pôr fim ao programa nuclear do regime persa e atuar em defesa dos norte-americanos. Disse também que a “a hora da liberdade” dos iranianos estava próxima.
Mais tarde, Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), confirmaram a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Posteriormente, o governo iraniano corroborou a informação e decretou 40 dias de luto oficial.
Foi formado um conselho composto por 3 integrantes para exercer as funções do líder supremo. Integram o grupo interino o aiatolá Alireza Arafi, o presidente do país, Masoud Pezeshkian, e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei.
O ataque dos EUA ao Irã foi realizado após semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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