O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou várias operações para combater a violência contra a mulher neste sábado (7.mar.2026) em seu 1º pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no domingo (8.mar).
“Violência contra a mulher não é questão privada em que ninguém mete a colher. É crime. E vamos, sim, meter a colher”, disse.
Em tom eleitoral, Lula elencou todas as ações de seu governo, inclusive as que não têm a ver diretamente com mulheres, como defender o fim da escala 6 X 1, uma de suas principais propostas visando à reeleição.
“É preciso avançar no fim da escala 6 por 1, que obriga a pessoa a trabalhar 6 dias por semana e ter apenas 1 dia de folga. Essa é uma pauta da mulher brasileira”, declarou.
O presidente listou ações que serão implantadas de imediato, como um mutirão do Ministério da Justiça, em parceria com os governos dos Estados, para prender mais de 2 mil agressores de mulheres que não podem e não vão continuar em liberdade.
“E eu estou avisando: outras operações virão”, disse.
Prometeu implantar o rastreamento eletrônico de agressores cujas vítimas estejam com medida protetiva e ampliar e fortalecer as delegacias especializadas de atendimento à mulher e as procuradorias da mulher.
“Outra ação imediata é a criação do Centro Integrado da Segurança Pública, com unificação de dados e monitoramento de agressores. A regra é clara: quem agride mulher não pode andar por aí como se nada tivesse acontecido”, afirmou.
O presidente anunciou, ainda, que, na próxima semana, entra em vigor o Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes, o ECA Digital, que amplia a proteção de meninas e meninos na internet.
“O Brasil que queremos não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam. É um país onde elas possam viver em segurança, com liberdade para se divertir, trabalhar, empreender e prosperar”, declarou.
Em ano eleitoral, o discurso foi mais um aceno para as mulheres, que representam 52% do eleitorado brasileiro, segundo dados mais recentes do TSE. São mais de 81,8 milhões de eleitoras. Trata-se do maior grupo do eleitorado nacional, e seu peso nas urnas tende a ser decisivo na disputa presidencial de 2026.
Desde o início do ano, o presidente tem feito acenos ao público feminino. Em 4 de fevereiro, o presidente lançou o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio no Palácio do Planalto. A iniciativa foi articulada pela primeira-dama Janja da Silva e assinada pelos representantes dos Três Poderes.
Pesquisas do Poder Monitor indicam que ele tem desempenho melhor entre mulheres do que entre homens quando testado em cenários eleitorais.
O pacto formaliza compromissos institucionais entre Executivo, Legislativo e Judiciário para enfrentar a violência letal contra mulheres, com 14 ações prioritárias definidas por um grupo interministerial. As medidas incluem a criação de novas Casas da Mulher Brasileira e a previsão de 4,7 milhões de atendimentos psicológicos para vítimas de violência em 2026.
Lula ainda não tinha discursado em rede nacional no 8 de Março neste mandato. Leia como agiu em anos anteriores:
Assista ao discurso (7min25s):
Leia a íntegra do discurso:
“Minha gente.
“Como o nosso país trata as mulheres? E, mais do que isso, como nós, homens brasileiros, tratamos as mulheres? Precisamos começar encarando a realidade, por mais dura que ela seja.
“A cada 6 horas, um homem mata uma mulher no Brasil. Cada feminicídio é resultado de uma soma de violências diárias, silenciosas e naturalizadas. A maioria esmagadora dessas agressões acontece dentro de casa, num ambiente que deveria ser de proteção.
“Diante de um cenário como esse, eu pergunto: que futuro será possível para nós se seguirmos sendo um dos países mais violentos com as mulheres? E mais: que futuro o nosso país deve construir para as mulheres?
“Apesar de tudo o que fizemos, a exemplo do Disque 180, da Lei Maria da Penha e da lei que tipifica o crime de feminicídio, homens continuam agredindo e matando mulheres. Mesmo com o agravamento da pena para o feminicídio, com até 40 anos de prisão para os assassinos, homens continuam agredindo e matando mulheres.
“Não podemos nos conformar.
“Por isso, lancei o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que assinei em fevereiro com os Três Poderes, para proteger a vida das mulheres.
“Na 6ª feira anunciamos um conjunto de ações a serem implantadas de imediato. Para começar, um mutirão do Ministério da Justiça, em parceria com os governos dos Estados, para prender mais de 2 mil agressores de mulheres que não podem e não vão continuar em liberdade.
“E eu estou avisando: outras operações virão.
“Violência contra a mulher não é questão privada em que ninguém mete a colher. É crime. E vamos, sim, meter a colher.
“Vamos implantar o rastreamento eletrônico de agressores cujas vítimas estejam com medida protetiva. Vamos também ampliar e fortalecer as delegacias especializadas de atendimento à mulher e as procuradorias da mulher.
“Outra ação imediata é a criação do Centro Integrado da Segurança Pública, com unificação de dados e monitoramento de agressores. A regra é clara: quem agride mulher não pode andar por aí como se nada tivesse acontecido.
“Estamos também ampliando a rede de unidades dos centros de referência e das Casas da Mulher Brasileira, que oferecem serviços especializados para as vítimas de violência doméstica.
“Minhas amigas e meus amigos, mesmo quando avançamos, as desigualdades persistem. Aprovamos a lei que garante o mesmo salário entre mulheres e homens quando exercem a mesma função.
“Mas precisamos fazer mais, pois para as mulheres todo dia é dia de luta. Desde a hora em que acordam para trabalhar até a hora em que encerram o dia de trabalho, que muitas vezes é uma dupla jornada: no emprego e em casa.
“Por isso, é preciso avançar no fim da escala 6 por 1, que obriga a pessoa a trabalhar seis dias por semana e ter apenas um dia de folga. Está na hora de acabar com isso, pois significará mais tempo com a família, mais tempo para estudar, descansar e viver. Essa é uma pauta da mulher brasileira.
“Minhas amigas e meus amigos, nesses três anos de governo reconstruímos políticas públicas que beneficiam as famílias e, sobretudo, as mulheres.
“O Bolsa Família, o Farmácia Popular, o Minha Casa Minha Vida e construímos novos programas, como o Pé-de-Meia, o Gás para Todos, o Luz para Todos, o Imposto de Renda zero para quem ganha até R$ 5.000 por mês e o programa de distribuição gratuita de absorventes para adolescentes e mulheres.
“Outro drama que atinge os lares brasileiros é o vício em apostas. Embora a maioria dos viciados sejam homens (sic), a conta recai sobre as mulheres. É o dinheiro da comida, do aluguel e da escola das crianças que desaparece na tela do celular.
“Cassinos são proibidos no Brasil. Não faz sentido permitir que o chamado “jogo do tigrinho” entre nas casas, endividando as famílias pelo celular. Vamos trabalhar, unindo o governo, o Congresso e o Judiciário, para que esses cassinos digitais não continuem endividando as famílias e destruindo lares.
“Minhas amigas e meus amigos, neste 8 de março precisamos olhar também para a segurança de mulheres e meninas no ambiente digital. O discurso de ódio nas redes violentas difama, incentiva a agressão contra as mulheres e afasta lideranças femininas da vida pública.
“Na próxima semana entra em vigor o Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes, o ECA Digital, que amplia a proteção de meninas e meninos na internet.
“Neste mês das mulheres vamos anunciar novas medidas para ampliar a segurança de mulheres e meninas e combater o assédio online.
“O Brasil que queremos não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam. É um país onde elas possam viver em segurança, com liberdade para se divertir, trabalhar, empreender e prosperar.
“Peço a Deus que este seja um ponto de virada na história do nosso país. Porque quando uma mulher é violentada, é o Brasil que sangra.
“E nós não aceitaremos mais sangrar em silêncio.
“Todos juntos por elas.
“Muito obrigado.”


