O Bitcoin (BTC) opera em leve alta na sessão desta quarta-feira (11), em meio às tensões geopolíticas e dados de inflação dos Estados Unidos. Nos últimos dias, no entanto, a principal criptomoeda do mercado opera sem direção definida e aguarda pela próxima super quarta (18).
Por volta das 17h20 (horário de Brasília), a criptomoeda avançava 0,82%, cotada a US$ 70.531,81. Já o Ethereum (ETH) registrava alta de 2,01%, a US$ 2.069,70, segundo dados da Binance.
O movimento ocorre em um ambiente de cautela global, com investidores acompanhando o impacto do conflito sobre o mercado de energia e as expectativas para a política monetária americana.
Além do cenário geopolítico, investidores analisaram a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos referente a fevereiro.
O indicador veio em linha com as expectativas do mercado, mas os detalhes da composição reforçaram preocupações sobre a inflação.
De acordo com análise do Bank of America, os dados sugerem uma leitura mais firme do índice PCE, métrica de inflação preferida do Federal Reserve. O banco projeta alta de 0,43% no núcleo do PCE em fevereiro ante janeiro e avanço anual de 3,1%, acima das estimativas anteriores.
Se confirmada, essa leitura pode reduzir as expectativas de cortes de juros no curto prazo.
Para Felipe Mendes, CEO da Altside, o mercado de criptomoedas deve permanecer volátil enquanto investidores aguardam sinais mais claros sobre inflação e juros nos Estados Unidos.
Em nota enviada ao Monitor do Mercado, ele afirma que o comportamento recente dos ativos digitais seguem ligados ao ambiente macroeconômico internacional, marcado por sinais mistos da economia americana.
“O mercado tenta encontrar direção em meio a sinais mistos da economia americana. Existe uma desaceleração gradual, mas ainda com resiliência suficiente para manter o banco central em postura paciente”, afirma.
Na avaliação de Mendes, o momento é mais compatível com um processo de consolidação do que com uma reversão estrutural de tendência. “O que vai definir a direção do mercado não são movimentos pontuais de preço, mas sim a evolução da inflação e da política monetária. Enquanto não houver maior clareza sobre os juros, a tendência é de volatilidade e movimentos mais curtos.”
Os fluxos de investimento reforçam o ambiente de cautela. Produtos globais de investimento em criptomoedas registraram saídas líquidas nas últimas semanas, segundo levantamento da CoinShares.
No aspecto técnico, o Bitcoin permanece em fase de consolidação após testar recentemente regiões próximas a US$ 65 mil, nível considerado suporte no mercado.
Segundo Mendes, a atual estrutura de liquidez aumenta a probabilidade de oscilações mais intensas no curto prazo, antes da definição de uma tendência mais clara.
De acordo com Karim AbdelMawla, analista da equipe de pesquisa da 21Shares, o Bitcoin costuma apresentar recuperação após períodos de choque de liquidez.
Entre os exemplos citados por AbdelMawla estão a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a crise bancária nos Estados Unidos em 2023 e a escalada das tensões no Oriente Médio no mesmo ano.
Nesses episódios, o ativo registrou altas de dois dígitos nas semanas seguintes, movimento associado à busca por ativos considerados reserva de valor fora de sistemas monetários nacionais.
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