O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta quarta-feira (11) em leve alta de 0,28%, aos 183.969,35 pontos, sustentado principalmente pelo desempenho das ações da Petrobras, que reagiram à valorização do petróleo no mercado internacional em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Entre os destaques do Ibovespa, os papéis ordinários da estatal subiram 4,89%, enquanto as ações preferenciais avançaram 4,36%.
No cenário doméstico, também pesou uma nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, que mostrou, pela primeira vez, empate técnico em um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, ambos com 41% das intenções de voto. O levantamento também aponta um sinal de desgaste político: 59% dos entrevistados afirmam que Lula não deveria disputar um novo mandato, enquanto 37% defendem a tentativa de reeleição.
No pregão, o desempenho da Petrobras ajudou a compensar a pressão negativa vinda de outras blue chips. As ações da Vale recuaram 0,88%, refletindo a fraqueza do minério de ferro, enquanto parte do setor bancário também operou no vermelho.
Entre os grandes bancos, apenas Banco do Brasil (+0,8%) e Itaú Unibanco (+0,21%) conseguiram encerrar o dia no campo positivo.
Entre as maiores altas do pregão, além da Petrobras, destaque para Cury Construtora, que avançou 4,13%, e para a varejista Lojas Renner, com ganho de 3,02%. Na ponta oposta, as quedas foram lideradas por Raízen, que tombou 5,77%, e pela BRF, cujas ações recuaram 4,24%.
No câmbio, o dólar terminou o dia praticamente estável, com leve alta de 0,03% frente ao real, cotado a R$ 5,16, em meio às incertezas sobre a duração e os impactos da guerra no Oriente Médio.
No cenário internacional, a escalada da guerra no Oriente Médio voltou a sacudir os mercados globais nesta quinta-feira (12), com o petróleo retomando um forte rali e ultrapassando novamente a marca de US$ 100 por barril durante a madrugada, apesar de uma ação coordenada inédita para conter os preços.
Nem mesmo a decisão da Agência Internacional de Energia (AIE) de liberar um volume recorde de 400 milhões de barris de reservas emergenciais foi suficiente para frear a disparada da commodity. Nas primeiras horas do dia, os contratos do petróleo chegaram a subir quase 10%, movimento que derrubava os futuros das bolsas em Nova York.
O gatilho mais recente da alta foi o ataque ao Porto de Basra, no sul do Iraque, principal polo de exportação do país. Após o episódio, o governo iraquiano decidiu suspender as operações de todos os seus terminais de petróleo.
Segundo o The Wall Street Journal, dois petroleiros estrangeiros carregados com óleo combustível iraquiano foram atingidos por projéteis em águas do país e pegaram fogo, ampliando o temor de interrupções prolongadas no fornecimento global.
O quadro se agrava diante da intensificação dos ataques atribuídos ao Irã e da decisão do governo dos Estados Unidos de suspender a escolta militar de petroleiros pelo Estreito de Ormuz — uma das rotas mais estratégicas para o transporte mundial de petróleo. A medida reduziu as expectativas de normalização rápida do tráfego na região.
No Brasil, a nova disparada da commodity volta a complicar o cenário da política monetária. A alta do petróleo coloca em dúvida o grau de espaço que o Banco Central (BC) terá para iniciar um ciclo de cortes na taxa básica de juros, mantendo o mercado em suspense sobre o ritmo de flexibilização da política monetária.
A tensão se soma à expectativa pela divulgação do IPCA de fevereiro. O índice oficial de inflação deve acelerar para 0,63% no mês, após registrar 0,33% em janeiro, segundo estimativas do mercado. As projeções coletadas pelo Broadcast variam entre 0,20% e 0,72%.
Um dos principais focos de preocupação do BC continua sendo a inflação de serviços, que deve pressionar o indicador. O movimento reflete reajustes em cursos regulares de educação e uma alta inesperada das passagens aéreas em fevereiro, mês em que tradicionalmente as tarifas costumam recuar.
Apesar da aceleração mensal, o acumulado em 12 meses tende a mostrar desaceleração, passando de 4,44% para cerca de 3,74%, com projeções entre 3,52% e 3,83%. Já a média dos núcleos de inflação deve subir na margem, avançando de 0,45% em janeiro para 0,57% em fevereiro, sinalizando que as pressões inflacionárias seguem resilientes.
As Bolsas da Europa seguem a tendência de queda de Wall Street, impactadas pela alta do petróleo e pelas preocupações com o risco inflacionário diante do conflito no Oriente Médio.
Nos mercados europeus, ações do setor financeiro lideram as baixas, enquanto a intensificação das tensões geopolíticas impulsionam os ativos do segmento de defesa.
Na Ásia, os mercados fecharam em queda com petróleo ultrapassando US$ 100/barril com a escalada da guerra no Oriente Médio.
O índice Nikkei do Japão caiu 1,05%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul perdeu 0,48%. Na China, o Xangai caiu 0,1% e o Shenzhen encerrou a sessão em queda de 0,63%.
Em Nova York, os índices futuros operam em queda nesta quinta-feira (12), pressionados pela disparada do petróleo na madrugada, após um ataque a petroleiros no Iraque e apesar da liberação das reservas estratégicas pela AIE.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, a agenda desta quinta-feira traz a divulgação dos dados da balança comercial e dos pedidos semanais de auxílio-desemprego — indicadores importantes para medir o ritmo da atividade econômica e as condições do mercado de trabalho americano.
Ao mesmo tempo, investidores seguem monitorando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus reflexos diretos sobre o mercado internacional de petróleo, fator que continua influenciando o humor dos mercados e elevando a volatilidade dos ativos globais.
Embora o presidente Donald Trump tente sustentar o discurso de que o conflito será curto, relatos da imprensa internacional indicam que as forças americanas já se preparam para pelo menos mais duas semanas de confrontos.
No esforço para conter a pressão nos preços da energia, o governo americano planeja liberar 172 milhões de barris de sua reserva estratégica, dentro do plano coordenado da AIE. Ainda assim, o mercado segue testando novos patamares, em um ambiente de elevada incerteza geopolítica. O comando militar iraniano chegou a afirmar que o mundo deve se preparar para um petróleo a US$ 200 por barril.
No Brasil, o cenário político entra no radar com a proposta de emenda à Constituição que trata da valorização dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias avançando no Senado. O texto, já aprovado pela Câmara dos Deputados em outubro, foi encaminhado para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
A comissão é presidida pelo senador Otto Alencar, aliado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com estimativas do governo, a proposta pode gerar um impacto de cerca de R$ 24,7 bilhões nas contas públicas ao longo dos próximos dez anos.
Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um novo episódio que amplia o debate sobre a credibilidade da Corte. O ministro Cristiano Zanin foi sorteado relator da ação que pede a instalação de uma CPI para investigar o caso envolvendo o banco ligado ao empresário Daniel Vorcaro na Câmara.
A redistribuição ocorreu depois que o ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para relatar o processo, alegando motivo de foro íntimo. Ele também informou impedimento para participar do julgamento relacionado à prisão de Vorcaro.
O caso deve avançar nos próximos dias: a Segunda Turma do STF deve analisar, em sessão virtual a partir de sexta-feira, a manutenção da prisão do empresário.
Nos bastidores do Judiciário, ministros da Corte ouvidos pelo Valor avaliaram como positivo o afastamento rápido de Toffoli do processo, medida que ajudaria a reduzir novas críticas ao tribunal em um momento em que o STF enfrenta questionamentos sobre sua reputação em meio às investigações envolvendo o banco ligado a Vorcaro.
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