O setor de Software e Tecnologia lidera a adoção recorrente — Foto: Getty Images
O valor médio investido por empresas brasileiras em ferramentas de inteligência artificial saltou de US$ 88,58 para US$ 258,37 entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, um crescimento de 191% em dois anos. Os dados são do AI Report 2026, publicado pela Clara — fintech de gestão de gastos corporativos com operações no Brasil, México e Colômbia — e baseado na análise de mais de 5 mil assinaturas ativas de ferramentas de IA pagas via cartões corporativos da empresa.
O Brasil lidera a expansão entre os três mercados analisados. México e Colômbia também registraram alta, de 139% e 84%, respectivamente, mas em ritmo menor. Segundo o relatório, o crescimento indica que o país superou a fase de licenças individuais e passou a integrar IA em processos centrais de operação, onde o volume de dados processados e o custo de computação são mais elevados.
No recorte por plataforma, o levantamento da Clara mostra que a OpenAI detém 63,28% do market share corporativo no Brasil, seguida pelo Cursor (14,33%) e pela Anthropic (13,25%). Juntas, as três concentram mais de 90% da adoção. O relatório destaca que o ticket médio do Cursor (ferramenta de codificação assistida por IA) é três vezes superior ao da OpenAI, sugerindo que equipes de engenharia têm incorporado a ferramenta como ambiente de trabalho cotidiano, e não apenas como experimento.
O setor de Software e Tecnologia lidera a adoção recorrente, com 20% de penetração. Varejo e e-commerce, por outro lado, seguem com taxas baixas, de 6,7% e 2,3%, respectivamente. A disparidade na adoção com base no porte das empresas também foi medida pelo levantamento: empresas de médio e grande porte já ultrapassam 20% de penetração em IA, contra 11,3% nas pequenas.
De acordo com Raquel Hernandez, VP de Engenharia da Clara, a velocidade de decisão é o principal benefício na adoção da tecnologia. "A principal diferença entre uma equipe habilitada por IA e uma tradicional é a competitividade. Você faz mais com menos, testando e implementando em minutos o que antes dependia de meses de engenharia".
*Com supervisão de Marisa Adán Gil


