Israel aposta em tecnologia, mas deficits orçamentários e conflitos prolongados pressionam a economia, e aumentam o custo de vidaIsrael aposta em tecnologia, mas deficits orçamentários e conflitos prolongados pressionam a economia, e aumentam o custo de vida

Israel sobrevive entre inovação, pressão fiscal e gastos militares

2026/03/15 19:00
Leu 5 min
Para enviar feedbacks ou expressar preocupações a respeito deste conteúdo, contate-nos em [email protected]

Israel enfrenta um momento decisivo em sua história econômica. A guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro de 2026, representa mais um foco de tensão em uma região já marcada por conflitos recorrentes e aumenta a pressão sobre a economia do país. O novo confronto ocorre enquanto Tel Aviv ainda lida com os efeitos econômicos e políticos da guerra em Gaza, iniciada em outubro de 2023, que já dura mais de 2 anos e meio.

Apesar do ambiente regional de conflito, a economia israelense segue relativamente resiliente. O FMI projeta crescimento de cerca de 3,9% em 2026, sustentado principalmente pelo setor de tecnologia e serviços avançados. No entanto, o prolongamento das guerras no entorno regional e o aumento dos gastos militares colocam pressão crescente sobre as contas públicas e levantam dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal do país no longo prazo.

Segundo a instituição, Israel registrou PIB de cerca de US$ 610 bilhões em 2025 e deve alcançar aproximadamente US$ 651 bilhões em 2026, considerando valores correntes em dólares. Esses números indicam que, apesar das tensões geopolíticas e do aumento dos gastos com defesa, a economia israelense mantém capacidade de crescimento, impulsionada sobretudo pelos setores de tecnologia, serviços e exportações de alto valor agregado.

O MOTOR TECNOLÓGICO E O AVANÇO MILITAR

O principal pilar da economia israelense continua sendo o setor de inovação, intimamente ligado à experiência militar e à formação técnica da população.

O setor de alta tecnologia responde por cerca de 17% a 20% do PIB de Israel e por mais da metade das exportações do país, consolidando a economia israelense como uma das mais dependentes de inovação e serviços tecnológicos do mundo. Os dados são da Israel Innovation Authority, agência governamental que acompanha o desempenho do ecossistema tecnológico do país.

“O principal motor da economia, já há algum tempo, é o setor de tecnologia e inovação, o high-tech. Ele se mantém resiliente a toda essa situação geopolítica conturbada. Israel exporta materiais e inteligência”, afirma Adam Mehl, economista brasileiro-israelense e ex-funcionário do Ministério da Economia e Indústria do Estado judaico.

Essa resiliência nasce da própria estrutura social do país, em que o serviço militar funciona, na prática, como um espaço de formação tecnológica.

“Dentro do Exército se desenvolveram unidades de inteligência muito avançadas. A própria necessidade [de manter vantagem tecnológica em um ambiente regional marcado por conflitos constantes] fez com que o país desenvolvesse mecanismos e conhecimento para que, depois, saiam dali grupos que vão formar empresas de tecnologia e startups. O Exército consegue alavancar outros setores da economia por meio dessa formação”, acrescenta o economista.

Essa integração entre defesa, universidades e setor privado levou Israel a ser conhecido internacionalmente como “Startup Nation” .

O contraste define o momento israelense: uma economia baseada em inovação e exportação de tecnologia que, ao mesmo tempo, precisa financiar um dos maiores esforços militares do mundo proporcionalmente ao tamanho da sua economia.

Segundo João Miragaya, historiador, assessor do Instituto Brasil-Israele e criador do podcast “Do Lado Esquerdo do Muro”, os investimentos em defesa podem sobrepujar o desenvolvimento de novas fronteiras tecnológicas essenciais, como a inteligência artificial.

Essa dinâmica cria um gargalo para a economia israelense. Embora o setor de high-tech seja o principal motor econômico do país, a concentração de recursos no esforço de guerra pode reduzir investimentos em áreas estratégicas para a competitividade de longo prazo.

De acordo com Miragaya, o Estado judaico investe menos em inteligência artificial do que outras potências tecnológicas emergentes e corre o risco de perder protagonismo nesse setor caso a prioridade fiscal continue voltada principalmente para o esforço militar, cujos gastos aumentaram 65% de 2023 para 2024, atingindo US$ 46,5 bilhões. Eis a íntegra (PDF – 667 KB, em inglês).

Ele reforça que esse cenário representa um “alerta vermelho” para o governo, uma vez que essa pressão fiscal não é sustentável indefinidamente.

O custo das operações militares tem forçado o país a operar com orçamentos deficitários. Para sustentar os gastos com defesa, o governo tem cortado gastos em áreas sociais como saúde, educação e transporte, afirmam os especialistas.

Além do peso financeiro, o país enfrenta também o risco de uma fuga de cérebros, declara Miragaya. A instabilidade política e o elevado custo de vida têm levado profissionais qualificados, como médicos e engenheiros, a considerar oportunidades no exterior, o que pode afetar a base de capital humano que sustenta o ecossistema de inovação do país. Leia mais sobre o tema nesta reportagem do jornal local “The Times of Israel”.

PRESSÃO FISCAL E CUSTOS DA GUERRA

Apesar do dinamismo tecnológico, a guerra tem elevado rapidamente os gastos públicos. O gasto militar israelense –US$ 46,5 bilhões em 2024– é o maior salto desde a Guerra dos 6 Dias, em 1967, e representa cerca de 8,8% do PIB.

Para o cidadão comum, os efeitos macroeconômicos aparecem no custo de vida.

Mehl afirma que “as guerras causam uma pressão fiscal muito grande para o país, porque você tem um aumento de gastos imediatos que você vai cobrar este preço lá no futuro. Como economista, eu diria que este é um alerta amarelo ou vermelho hoje em dia para o governo”.

Tel Aviv tem forte pressão sobre moradia, serviços e alimentação. A desigualdade social também permanece um desafio estrutural para a economia do país, afirmam os especialistas entrevistados pelo Poder360.

“O principal ponto de insatisfação é o custo de vida. As pessoas sentem no dia a dia que elas não conseguem fechar o mês. Mesmo as camadas de classe média não conseguem fechar o mês pelo custo de vida alto”, declara Mehl.

Oportunidade de mercado
Logo de Massa
Cotação Massa (MAS)
$0.00445
$0.00445$0.00445
+1.13%
USD
Gráfico de preço em tempo real de Massa (MAS)
Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail [email protected] para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.