A Petrobras decidiu atravessar um acordo entre a Brava Energia e a gigante Petronas, exercendo seu direito de preferência e comprando a fatia de 50% da companhia malásia nos campos Tartaruga Verde e Espadarte Módulo III.
A notícia deve deixar um gosto amargo para os acionistas da Brava. A junior oil havia anunciado a aquisição em janeiro, projetando aumentar a produção e reduzir sua alavancagem com os dois ativos na Bacia de Campos.
Para a Petrobras, a transação é irrisória – o preço de US$ 450 milhões e os cerca de 27,5 mil barris diários que o deal adicionará não chegam a fazer cócegas em seu balanço e produção. Mas trazem uma importante conotação política.
A participação que a Petronas negociava com a Brava havia sido vendida pela própria Petrobras durante o Governo Jair Bolsonaro, em 2019, por US$ 1,29 bilhão.
A estatal ainda tinha 50% dos ativos, mantendo-se como operadora e com o direito de preferência.
Agora voltará a ter 100% de participação – em um momento em que o Governo Lula só fala em expansão da Petrobras e não perde a oportunidade de atacar os desinvestimentos feitos nas gestões anteriores.
Na Brava, a aquisição de Tartaruga Verde era vista como um negócio “muito bom” por envolver pouco desembolso de caixa e adicionar uma oferta relevante. A empresa produziu 73,8 mil barris por dia em janeiro.
A transação seria o primeiro negócio fechado pelo novo CEO, Richard Kovacs, que assumiu prometendo uma gestão mais ativa do portfólio, incluindo M&As oportunísticos como este.
“O acionista de Brava só tem tomado %!&@#”, disse um gestor.
O BTG havia calculado que o M&A geraria US$ 171 milhões em valor para a Brava, ou R$ 2 por ação, avaliando na ocasião que seria “improvável” a Petrobras atravessar o negócio.
“Acreditamos que eles (a Petrobras) vão preferir preservar os US$ 300-450 milhões em dinheiro para financiar Búzios ou novas fronteiras, como a perfuração na Margem Equatorial,” escreveu o banco na época, acrescentando que o prazo de 60 dias para uma decisão seria desafiador para a governança da estatal.
A aquisição também vem num momento em que a disparada do Brent com a guerra do Irã tem tudo para melhorar significativamente a geração de caixa livre da Petrobras.
Em paralelo, o ano eleitoral e os impactos da guerra sobre os preços dos combustíveis têm levado a CEO, Magda Chambriard, a reforçar um discurso crítico a privatizações.
Na semana passada, Magda criticou o governo anterior por ter vendido o controle da antiga BR Distribuidora (hoje Vibra Energia), o braço de distribuição da estatal.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegou a afirmar que houve um “modelo criminoso” de venda de “nossos ativos nacionais” no governo anterior.
Em comunicado hoje, a Petrobras disse que a aquisição “apresenta condições econômico-financeiras atrativas” e “está em consonância com seu plano de negócios, reforçando o direcionamento estratégico voltado ao segmento de óleo e gás.”
O pagamento pelos ativos será de US$ 50 milhões na data de assinatura e US$ 350 milhões no fechamento, além de duas parcelas de US$ 25 milhões em 12 e 24 meses pós-closing.
O desembolso ainda será ajustado pela data efetiva da transação, definida como 1º de junho de 2025.
Analistas estimam que esses valores – e o ajuste com data retroativa – permitirão ao comprador levar os campos sem aumentar a alavancagem.
The post Petrobras retoma campos vendidos no Governo anterior, e frustra M&A da Brava appeared first on Brazil Journal.


