Depois de alguns anos de ajustes operacionais e estratégicos, a Veste começa a mostrar sinais de recuperação. Em 2025, a companhia de moda, dona de marcas como Le Lis, Dudalina e Individual, registrou lucro líquido ajustado de R$ 33,2 milhões, um avanço de 134% em relação ao ano anterior.
Além da recuperação na última linha do balanço, o resultado reflete uma transformação operacional que a empresa vem conduzindo nos últimos anos.
“Ainda acho esse número de lucro pequeno. Mas esse foi o ano da virada”, disse Alexandre Afrange, CEO da Veste, no Números Falam. “A estratégia é simples, mas a execução é complexa.”
Para ele, a recuperação da companhia pode ser resumida em foco na essência das marcas, disciplina na gestão de estoques e uma mudança no modelo de lojas.
Desses três pilares principais, o retorno à essência das marcas é considerado um dos pontos principais - principalmente pela Veste ser uma empresa de moda.
A varejista de moda voltou a concentrar esforços na identidade de suas principais marcas. Nesse processo, a Le Lis ganhou protagonismo dentro do portfólio e consolidou sua posição como a principal geradora de receita da companhia - que atingiu R$ 1,24 bilhão no ano passado.
A estratégia passou por um reposicionamento de produto e maior consistência nas coleções, elemento considerado essencial em um setor em que a relação com o consumidor é construída a cada temporada. “Se você erra uma coleção, só recupera na seguinte”, afirmou o CEO no programa do NeoFeed.
Outro pilar da transformação foi a melhoria na gestão de estoques, que é um dos fatores mais críticos para a rentabilidade no setor de vestuário. No fim de 2025, o nível de estoque da companhia estava em 177 dias, uma redução de 45 dias em relação ao ano anterior.
A queda reflete mudanças na forma como a empresa planeja suas coleções e administra o fluxo de produtos. Essa melhora operacional também ajudou a impulsionar a geração de caixa da companhia. O Ebitda somou R$ 266,7 milhões, com margem de 21,5%, enquanto que o Ebitda ajustado avançou 18,6% em 2025, atingindo R$ 266,7 milhões.
O terceiro ponto da estratégia foi a evolução do modelo de lojas físicas. A empresa tem investido em unidades com layout atualizado e maior integração com os canais digitais.
Mais do que abrir novas lojas, a estratégia é reformar as existentes, que podem gerar um ganho de nove pontos percentuais a mais do que as não reformadas.
O objetivo é transformar as lojas em pontos de relacionamento com o consumidor, e não apenas em canais de venda. Essa mudança reflete uma ideia de aproximar e integrar os canais físico e digital.
Nesse processo, o comércio eletrônico também ganhou relevância dentro da companhia. Em 2025, as vendas digitais da Veste atingiram R$ 281,8 milhões, com crescimento de 21,3% na comparação anual.
Na visão de Afrange, a disciplina na continuidade de execução dessa estratégia é o desafio para a companhia ao longo de 2026.
Na B3, a ação VSTE3 acumula queda de 5,1% neste ano, até quarta-feira, 11 de março. Em 12 meses, o papel recua 44,3%. O valor de mercado da empresa é de R$ 426,5 milhões.



