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SXSW: a tecnologia avança, mas as decisões continuam humanas

2026/03/18 22:59
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Um fenômeno interessante se repete todos os anos durante o SXSW. Você sai de um painel sobre inteligência artificial generativa e, pouco tempo depois, está imerso em uma discussão profunda sobre relações humanas, criatividade ou propósito. À primeira vista, esses temas podem parecer desconectados. Mas todos apontam para aquilo que considero ser a principal lição do festival em 2026: à medida que a tecnologia avança, o fator humano se torna cada vez mais essencial.

Acompanhei de perto o painel “Convergência Tecnológica: Identificando a Vantagem”, com Connie Kuang, que lidera a iniciativa de convergência tecnológica do Fórum Econômico Mundial, e Kary Bheemaiah, diretor de tecnologia e inovação da Capgemini Invent, que juntos abordaram como a inovação ocorreu ao longo da história.

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A tese central era que raramente uma tecnologia transforma o mundo sozinha. Os grandes avanços acontecem quando diferentes inovações passam a se integrar. É o que os especialistas chamam de “era da convergência tecnológica”.

Nesse contexto, muitas das inovações que hoje consideramos revolucionárias são, na realidade, o resultado maduro de diferentes tecnologias que finalmente passaram a operar de forma integrada. Robôs humanoides, por exemplo, não surgiram de uma única descoberta recente. Eles resultam da combinação de sensores, mecatrônica, algoritmos de inteligência artificial, computação embarcada e avanços em materiais.

A lógica da convergência também começa a transformar o papel que a tecnologia desempenha dentro das organizações. Durante o painel, foi levantada uma questão relevante: se antes a tecnologia estava principalmente associada à automação e à análise de dados, hoje vemos sistemas integrados capazes de organizar processos, apoiar decisões intermediárias e executar fluxos de trabalho completos dentro das empresas.

Essa mudança da tecnologia como “executora” para “parceira de decisão” abre grandes oportunidades de produtividade. Ao mesmo tempo, deixa claro que, quanto mais autonomia concedemos aos sistemas, maior precisa ser a transparência sobre como eles são projetados, monitorados e governados.

Esse debate é imprescindível para setores que dependem intrinsecamente da confiança, como o financeiro. A trajetória da inovação nesse setor mostra que cada avanço tecnológico exige não apenas novas habilidades, mas também novos mecanismos de responsabilidade e clareza — sempre apoiados pelo fator humano.

O papel das pessoas em um ambiente cada vez mais automatizado apareceu novamente no painel “5 Segredos Não Óbvios da Conexão Humana”. O futurista Rohit Bhargava chamou a atenção: “quem entende pessoas sempre vence”. Em um mundo progressivamente moldado pela tecnologia, nunca tivemos tantas ferramentas para nos conectar e, ainda assim, diferentes indicadores mostram o avanço da solidão e uma crescente dificuldade de estabelecer relações realmente significativas.

Estamos falando sobre como algoritmos que organizam conteúdos, sistemas que intermediam interações e plataformas digitais que filtram informações passaram a influenciar o que consumimos e a moldar a forma como nos relacionamos. Isso não significa que a tecnologia seja o problema, mas nos convida a refletir sobre como precisamos ser mais intencionais ao construir conexões humanas em uma realidade dominada por telas.

Uma das lições mais relevantes do SXSW deste ano é a necessidade de encararmos a tecnologia de maneira mais ampla do que apenas sob uma perspectiva técnica. Afinal, ela é, acima de tudo, um fenômeno social. É verdade que a IA tem potencial para agilizar decisões, expandir nossa habilidade de análise e tem ganhado força quando combinada com outros avanços. No entanto, determinar quais desafios queremos resolver, quais valores desejamos manter e quais limites devemos estabelecer permanece uma tarefa exclusivamente humana.

*Renata Petrovic é head de inovação do Bradesco

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