O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta 4ª feira (18.mar.2026) que o Brasil condena ambos os lados no conflito entre Irã e Estados Unidos, em audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara.
Deputados da oposição criticaram o ministério por suposta diferença de postura diante dos países envolvidos no conflito.
“Não vemos a mesma firmeza para condenar o Irã como houve com os Estados Unidos. Ficamos constrangidos com o posicionamento brasileiro. Por que passar pano para o regime do Irã?”, disse o deputado Rodrigo Valadares (União Brasil-SE).
Vieira rejeitou a crítica. O ministro afirmou que o Brasil condenou ataques de ambos os lados e defendeu a retomada das negociações. Disse que Omã atua como mediador nas tratativas nucleares entre EUA e Irã, mas que os norte-americanos recuaram do acordo.
“O acordo seria ‘o melhor para todos’ e estava avançando, mas os Estados Unidos recuaram. O ministro de Omã ficou chocado porque não houve tempo para negociação. O Irã queria cooperar e fechar o acordo”, disse o chanceler.
O ministro também afirmou que o Brasil mantém diálogo com países do Golfo e tem sido reconhecido pela capacidade de interlocução.
“Já entrei em contato com todos os países do Golfo, e todos reconheceram a capacidade do Brasil de dialogar com os dois lados”, disse. Segundo ele, o governo prestou assistência a cerca de 8.000 brasileiros em trânsito em aeroportos da região.
Antes da audiência na Câmara, Vieira participou de sessão na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Na ocasião, afirmou que há paralisia da ONU diante do conflito.
“Hoje é dado mais espaço a interesses ligados a guerras do que a iniciativas ligadas à paz e ao combate à fome. Precisamos resgatar e fortalecer o sistema multilateral”, declarou.
O Itamaraty informou que cerca de 70.000 brasileiros vivem em 12 países do Golfo. Desde a escalada do conflito, em 28 de fevereiro, o ministério monitora a situação por meio das embaixadas e emite alertas consulares diários. A pasta também reiterou recomendação, feita desde outubro de 2023, para evitar deslocamentos desnecessários na região.
Vieira disse que o cenário internacional mostra enfraquecimento do multilateralismo e defendeu a ampliação de acordos comerciais. Citou o avanço das negociações entre o Mercosul e a EFTA, bloco formado por Suíça, Noruega e Luxemburgo.
O ministro alertou ainda para os impactos econômicos da crise. Segundo ele, o fechamento do Estreito de Ormuz —por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial e 250 navios por dia— pode provocar inflação e afetar a economia global. Afirmou que o preço do barril, que estava abaixo de US$ 70, chegou a US$ 105 com a escalada das tensões.
Vieira declarou que o Brasil tem maior autonomia por ser o 9º maior produtor de petróleo e por garantir segurança alimentar, mas reconheceu desafios na área de fertilizantes. Citou a Bolívia como importante fornecedora de ureia. Segundo ele, o país busca diversificar parcerias comerciais para reduzir riscos e se proteger da instabilidade provocada por conflitos internacionais.


