O Brasil deu um passo importante contra o crime organizado. A 24 de março de 2026, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Lei n.º 15.358, conhecida como Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, ou Lei Anti-Gangues.
A lei foi publicada no Diário Oficial a 25 de março. Confere aos juízes novos poderes para apreender, congelar, bloquear ou confiscar bens ligados ao crime. Isto inclui ativos digitais e virtuais como criptomoedas. O objetivo é enfraquecer os gangues cortando as suas fontes de financiamento.
A Lei Anti-Gangues expande a autoridade dos juízes ao abrigo do Artigo 9. Podem agora ordenar medidas cautelares contra bens móveis e imóveis, direitos e valores, incluindo Ativos Virtuais.
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Estas medidas aplicam-se quando há provas de que os bens são provenientes de crime, instrumentos utilizados no crime ou destinados a fins criminosos. Os bens não precisam de ser usados exclusivamente para atividades ilegais para serem visados.
Os juízes podem também impor perda extraordinária em casos claros de origem ilícita. Isto pode acontecer mesmo sem uma condenação criminal definitiva.
A lei também proíbe indivíduos sob investigação ou condenação de usar plataformas de criptomoedas, emitir instrumentos de crédito ou débito, ou fazer transferências eletrónicas como o Pix. O acesso a plataformas digitais relacionadas pode ser bloqueado antes do julgamento. Os líderes condenados enfrentam penalidades mais severas.
Novos crimes de "dominação social estruturada" acarretam penas até 40 anos. Os líderes podem também enfrentar proibições permanentes de sistemas financeiros e de criptomoedas e restrições em contratos públicos.
Uma inovação fundamental da lei é o uso provisório de bens apreendidos. O Artigo 11 permite que as agências de segurança pública usem bens confiscados, incluindo criptomoedas, imediatamente. Isto inclui reequipamento policial, formação e operações especiais.
É necessária aprovação judicial. Os proventos de vendas ou liquidação vão para o Fundo Nacional de Segurança Pública quando investigados pela Polícia Federal. Os fundos estaduais recebem proventos de casos a nível estadual. Em operações conjuntas, os recursos são divididos igualmente.
Esta abordagem é chamada de "estrangulamento financeiro". Visa desmantelar a espinha dorsal económica de grupos de crime organizado como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho.
Estes gangues têm usado cada vez mais criptomoedas para lavagem de dinheiro, mineração ilegal e transferências transfronteiriças.
O governo brasileiro sublinha que a lei visa apenas bens ligados ao crime. As salvaguardas incluem devolução rápida de fundos com juros se uma pessoa for absolvida e não for declarada perda permanente.
O movimento do Brasil baseia-se no seu enquadramento regulatório de criptomoedas de 2023, Lei 14.790. Marca uma escalada acentuada nas ferramentas de aplicação. Operações recentes já apreenderam milhares de milhões de reais em bens ilícitos, mostrando o papel das criptomoedas no crime organizado.
Os observadores da indústria de criptomoedas têm visões mistas. Os apoiantes dizem que a lei fortalece a posição do Brasil como um grande mercado global de criptomoedas. Argumentam que reduz fraudes e lavagem de dinheiro, o que poderia impulsionar a adoção legítima.
Os críticos alertam para riscos como a vigilância governamental expandida, possível excesso que afeta utilizadores inocentes e desafios na custódia e liquidação de ativos digitais voláteis. A lei rejeita o uso de criptomoedas apreendidas como reserva soberana. Em vez disso, os bens são direcionados para necessidades de segurança pública.
A legislação também inclui disposições para cooperação internacional na recuperação de bens. Cria uma base de dados criminal nacional para mapear redes financeiras de grupos organizados.
Integra-se com as regras existentes de combate à lavagem de dinheiro aplicadas pelo Conselho de Controlo de Atividades Financeiras (Coaf) e pelo Banco Central.
O Brasil enfrenta desafios contínuos da violência de gangues e milícias. A Lei Anti-Gangues representa uma das tentativas globais mais agressivas de usar criptomoedas apreendidas diretamente contra o crime.
Especialistas legais e o sector de criptomoedas acompanharão de perto como os tribunais equilibram a aplicação com o devido processo e direitos de propriedade.
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